A moça está coberta de razão. Falou o Professor.
Isto são promessas em vão, meu caro Professor. Respondeu o Senhor Davi. De nada valem.
Voltamos então nossa atenção para o diálogo das duas moças.
Ele, se levantou e riu como se eu estivesse brincando. Falou a chorosa com um ar de raiva.
Querida, tudo não passou de uma brincadeira. Tenho certeza que nem ele levava isto a sério. Sabe como são os homens quando descobrem nossos medos.
Não Raquel, ele não estava brincando. Sempre falou isto e depois daquela noite, ficou ainda pior. Escrevia recados, fazia dedicatórias, que sempre terminavam assim: Lembre-se da nossa promessa.
É verdade. Eu me recordo desta frase no seu bolo de noivado. Falou Raquel.
No seu velório, sua mãe me vendo inconsolada me disse em alto e bom som; Fique tranquila Júlia, ele prometeu que viria buscá-la e virá. O Gil sempre cumpriu o que prometia.
Ora Júlia, foi só uma forma de falar para ver se a consolava naquele momento tão doloroso para vocês. Tudo não passou de uma brincadeira.
Não Raquel, não foi uma brincadeira. A imagem ainda está clara em minha mente, quando ele no seu leito de morte segurou minha mão, respirou fundo e disse bem baixinho: Júlia lembre-se da nossa promessa. Sorriu e morreu.
Júlia, você está obcecada com esta ideia. Precisa procurar ajuda de um especialista. Disse sua amiga num tom bem severo.
Não Raquel, eu não preciso de ajuda nenhuma. Só quero que ele cumpra nossa promessa. Não suporto mais esta espera. Todo dia eu acordo imaginando que será o último, que hoje ele virá me buscar. Toda noite, ao menor ruido, eu acho que é ele chegando para me levar.
Júlia, por favor, você não pode levar isto a sério. Estas coisas não existem, ninguém têm este poder. Só Deus sabe a hora da nossa partida, mais ninguém. Falou Raquel bem rispidamente.
O Gil falava que para o amor não existem barreiras e você sabe o quanto nós nos amamos. Respondeu Júlia, também rispidamente.
Sua amiga deu alguns passos em direção a saída e de repente voltou-se e perguntou: Tá bom, digamos que esta promessa seja válida, ele deu algum prazo para que ela aconteça?
Júlia, riu e falou calmamente: Mas é claro. Não se faz um acordo sem prazo. E a nossa promessa era de que no máximo em quatro meses, quem fosse primeiro víria buscar o outro. O Gil até queria um prazo maior, mas eu fui contra, afinal a ideia havia partido dele. Então quando menos tempo melhor para ambos.
Júlia, cai na real, isto é pura loucura. Estas coisas não existem. Você é jovem e bonita e têm toda uma vida pela frente. Alem do mais, já se passou quase um ano que o Gil morreu.
Eu sei contar sua idiota. Respondeu Júlia grosseiramente. E sabe por que vim aqui hoje?
Depois de todo ocorrido, tenho certeza que não. Respondeu Raquel, bastante chateada.
Então ouçam com muita atenção. Vocês dois. Falou Julia olhando para o túmulo do Gil: Se ele não vier me buscar, como prometido, num prazo de 25 dias, que é quando completa um ano da sua morte, eu virei aqui e sobre seu túmulo me matarei. Raquel, queira ou não queira, você agora é testemunha da minha promessa.
Porca miséria, a moça endoidou por completo. Faça alguma coisa Senhor Davi. Falou o Professor desesperado.
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