sexta-feira, 21 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - PARTE-26

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       Era um sujeito baixo e gordinho e pelas suas vestes parecia estar muito tempo sem um banho. Ficou nítido que era um desencarnado. O Professor disse meio a um espanto total: É o Bereta. Já se faz bem um três anos que faleceu. E se dirigiu a ele.
      Meu amigo Bereta, que surpresa. Nem sabia que estava por aqui ainda.
      Pois é meu amigo Sucupira, ainda estou aqui. Vendo meu corpo apodrecer a cada dia. O portal já se abriu para mim várias vezes mas eu sinto que não posso entrar lá ainda. Respondeu o Senhor Bereta com um ar muito tristonho.
     Que sucede meu amigo? O que o impede de sair deste sofrimento? Perguntou o Professor de uma forma bem amorosa.
    Você sabe sabe como eu era, ou melhor, como fiquei depois do que a Izaúra me fez. Abandonei tudo inclusive meus filhos. Deixei-os a Deus dará. Nunca fui um pai presente e apesar de tê-los sustentado-os financeiramente, sempre fui motivo de vergonha para eles. Falou quase chorando o gordinho.
   O Professor de imediato falou: Você sabe que todos nós fomos a favor da Izaúra. Você era um bom vivant, nunca a respeitou, só porque tinha dinheiro se achava o dono da razão e da verdade. Achava que podia comprar todo mundo e creio que sabia que suas amizades eram interesseiras  e para lhe ser mais sincero, você era intragável. Eu o respeitava porque era dono do colégio e irmão do Prefeito. Tinha que agir assim ou estaria desempregado e expulso da cidade, como vocês fizeram com o Daniel e a Izaúra, a mãe dos seus filhos.
   Neste momento o baixinho caiu em prantos e falou: Foi pior Sucupira, bem pior. Eu os matei.
   Porca miséria. Falou o Professor totalmente espantado com a confissão que acabara de ouvir.
   Menti que ela havia fugido com o Daniel, continuou o Senhor Bereta; Matei a ambos e sumi com os corpos, depois paguei o Zangão, lembra-se dele?
    Sim claro, o pedinte. Respondeu o Professor.
    Pois é, ele mesmo. Não tinha nada a perder. Cinco ou seis anos de cadeia e depois uma vida tranquila com o dinheiro que lhe ofereci. Comprei todo mundo, advogado, juiz, testemunhas e jurados. Saiu tudo como planejei, mas ficou o peso na consciência. Escrevi uma carta, onde confessava tudo, tim tim, por tim tim. E prometi a mim mesmo que antes de morrer, entregaria esta carta aos meus filhos para que eles soubessem de toda a verdade, principalmente que a mãe deles era a mulher mais correta do mundo. Porem o destino eu não pude comprar e morri sem poder entregar a carta e com este enorme peso na consciência. Tudo que eu mais quero no mundo é entregar esta carta a eles e me perdoar com a Izaúra, mas como se agora estou morto? Gritou o Senhor Bereta.
  Senhor Davi, o caso dele têm solução? Perguntei.

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