Apesar de emocionado, tinha algo diferente no Professor. Sinceramente não pude avaliar o que, mas senti algo de leve, puro. Fiquei feliz por ele. Desculpe meu amigo espelho, mas é difícil explicar o que eu estava sentindo, só sei que era bom para o Professor e para mim.
O Senhor Davi desapareceu por alguns momentos. Eu e o Professor ficamos em silêncio por alguns instantes, ambos admirando aquela paisagem fúnebre, que é um cemitério.
Não sei quanto a você? Mas eu quero sair daqui. Falou o Professor num tom de preocupação. Só preciso saber como. Complementou.
Calma Professor, sua hora está prestes a chegar. Falou o Senhor Davi que voltou, sabe-se lá de onde, a nos fazer companhia. E continuou: sem mais delongas, vamos ao que interessa e responder a indagação do nosso jovem amigo. Durante milhares de anos muitos geneticistas estiveram aqui para criarem a tão almejada raça de humanos. E para que? Os progenitores do projeto Gaya, sabiam que, teorias não eram suficientes, é necessária a prática e com esta ir aperfeiçoando-se até chegar ao ideal. Portanto era necessário estudos de comportamentos e a partir daí ir evoluindo.
O Senhor quer disser que foram criados vários seres humanos com comportamentos diferentes e, a partir daí estudos foram feitos encima das reações obtidas por cada um ao se confrontarem socialmente. Está correto o meu raciocínio? Falou o Professor.
Exatamente, Professor. Respondeu o Senhor Davi e continuou: lembram-se dos tais voluntários?
Sim, respondemos.
Eles vieram com a seguinte tarefa, habitar os corpos criados pelos geneticistas e viverem a experiência física e depois levá-las para os estudos necessários. Os resultados obtidos eram empregados no DNA de novas criaturas mais evoluídas. Vou dar como exemplo a ex-vizinha do Professor, a Dona Leonor. Um voluntário habitou seu corpo por um determinado tempo, viveu milhares de experiências de comportamentos. Agora todo o ocorrido está sendo estudado. Com o resultado obtido, uma nova criatura será constituída,e não será a Dona Leonor, mas sim, um novo ser com o DNA aperfeiçoado. Este ser ganhará uma vida física, que será habitada pelo mesmo voluntário que estava como Dona Leonor. Fui claro? Perguntou o Senhor Davi.
Putz, é tudo muito complicado. Para ser franco, difícil de ser digerido. Parece-me um filme de ficção cientifica. Falei um tanto constrangido, mas era o que estava sentido.
Bem, eu avisei que não seria fácil de aceitar, mas é a verdade, a pura realidade. Respondeu o Senhor Davi.
Tá bom, tá bom. Agora, chega de léro-léro e nos fale sobre as crianças. Falou o Professor, demonstrando uma certa inquietude.
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