sábado, 8 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-16



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    Havia uma Senhora ao lado do túmulo do Professor Sucupira que ao vê-la apenas balbuciou seu nome: Giovana? Seus olhos marejaram e ele olhou para nós como que incrédulo no que estava vendo e disse:
   É ela, a única mulher da minha vida. Como será que soube da minha morte?
   Desencarne Professor, desencarne. Porque não pergunta a ela? Disse o Senhor Davi.
  Nunca havia visto o Professor tão emocionado e apesar de conhece-lo há muitos anos, ele nunca havia dito nada sobre a Giovana.
  Posso? Perguntou o Professor. Não vou assustá-la?
  Não Professor fique tranquilo, apenas aproxime-se dela e estenda seu braço direito em direção a ela.  Respondeu o Senhor Davi.
  O Professor seguiu a passos lentos como que inseguro se deveria ou não fazer aquilo. Sua emoção era grande e perceptível. Parou a alguns passos dela e nos olhou como quem espera uma ordem para seguir adiante.
  Vá Professor, siga enfrente, coragem. Disse o Senhor Davi a entusiasmá-lo.
  Então o Professor deu mais alguns passos e pôs-se diante da mulher que depositava um maço de flores sobre seu túmulo. Uma lágrima rolou em seu rosto, ele ergueu seu braço em direção a ela e aconteceu o seguinte diálogo:
    Ela: Seu velho tolo e teimoso. Como pode partir sem avisar-me? Que tolice a minha, você nem sabia onde encontrar-me.
   Ele: Você continua linda, parece que os anos não passaram para você.
   Ela: São seus olhos. Você continua o mesmo galanteador de sempre.
   Ele: Não darling, você ainda está da mesma forma de quando eu a vi pela última vez.
   Ela: Darling, como era gostoso ouvir isto. Desde o nosso primeiro olhar você me chamou assim. Me fazia sentir uma atriz. Lembra-se do nosso primeiro contato?
   Ele: Claro darling, eu a tirei para dançar, me lembro até da canção:  Ruby, com Ray Charles. Naquele momento percebi o quanto lhe amava. Ao segurar sua mão, envolver sua cintura, senti seu perfume que nunca mais pude esquecer. A música toda não consegui desviar meus olhos dos seus. Aquele olhar que até hoje permanece em meus pensamentos. A música acabou e nós nem nos temos conta, continuamos a dançar, e assim seguiram-se não sei nem quantas outras músicas.
  Ela: É verdade, foi maravilhoso. Um momento mágico, inesquecível. Também me lembro do nosso primeiro beijo. Seja sincero, você estava nervoso, não estava?
  Ele: E como darling! Tomei pelo menos umas duas vodkas antes, para criar coragem e então falei comigo mesmo: é agora ou nunca. Foi o beijo roubado mais gostoso que dei em toda minha vida.
  Ela: Para lhe ser sincera, eu assustei, mas não pude resistir. Você foi muito gentil, para um ladrão. Espero que me perdoe por ter sido tão tola e...
  Ele: Não darling, não diga nada. Não era para ser. Você já estava comprometida, eu é quem errei em lhe procurar depois de tantos anos. Quando soube que estavas prestes a se casar não pude resistir. Foi uma grande tolice.
  Ela: Arrependo-me até hoje. Você foi tão sincero e eu tão estupida. Somente depois é que percebi que os melhores momentos da minha vida foram com você e que aquilo era amor, o tão sonhado amor que sempre busquei e que estava ali, diante de mim e eu deixei escapar por um capricho de adolescente. Me perdoe se o fiz sofrer. Eu sempre vou te amar.
  Então, ela vez o sinal da cruz e se afastou.

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