domingo, 30 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-36


Resultado de imagem para imagens de um casal de jovens na cama

     A cena era por demais triste, a moça que amparava a chorosa, tentava, em vão, de todas as formas consolá-la; Calma querida. A vida continua e ele não está mais aqui. Vem, vamos embora.
    Não eu exijo uma resposta. Disse a  outra, numa mistura de inconformismo e ódio.
    Querida, quando o Gil morreu, ele estava sedado, sequer sabia o que estava falando, mal reconhecia as pessoas. Lembra-se?
     Sim claro. Mas e os outros demais dias durante os quatro anos que vivemos juntos? Também estava sedado? Respondeu a chorosa, muito bruscamente. Então sentou-se sobre o túmulo e mais calma falou: Ele dizia que me amava e que nem a morte nos iria separar. Certa vez, embaixo do chuveiro, ele me fez prometer, que quem morre-se primeiro víria buscar o outro. Eu era cagona, morria de medo dessas coisas de fantasmas. A princípio não topei e falei que não, que nem dormiria só de pensar nisto.
    Tolinha, ele estava brincando com você. Sabia que você morria de medo dessas coisas. Nem em velório você gosta de ir. Certo? Perguntou sua amiga, com um sorriso nos lábios.
    É, mas o tempo foi passando e ele sempre me fazendo a mesma pergunta: "Vamos nos prometer, que quem morrer primeiro virá buscar o outro"?. Teve até uma vez que eu explodi. Sai da cama, vesti minhas roupas e fui embora. Fique três dias sem ligar para ele . Achei até que tudo havia terminado entre nós. Mas ai, no quarto dia ao sair do escritório, lá estava ele, com um buquê de rosas brancas, e uma reserva para uma mesa no restaurante que eu mais gostava. Ele só disse: Estou perdoado? Não resisti, eu o abracei e o beijei muito e disse:  Sim meu amor, eu te amo muito. E quando ia continuar a falar ele me beijou como que diz: chega, não precisa falar mais nada.
   Foi uma noite maravilhosa, levamos até uma garrafa de vinho, depois do jantar, para bebermos no meu apartamento. Minha cabeça rodopiava entre seus beijos, carícias e taças de vinho. Aos poucos ele me desnudou, e fizemos amor como nunca havíamos feito e num dado momento, ele todo dentro de mim, parou e olhou meigamente em meus olhos e disse: então? Prometa-mos, um ao outro. Quem partir primeiro, vem buscar o outro? Meu êxtase era tanto, o prazer estava a um ponto de estourar num enorme gozo, que eu respondi eloquentemente; Sim meu amor, sim, nossa promessa está selada. Ele mordeu meu pescoço, fez dois ou três movimentos com a cintura e tivemos múltiplos gozos.  Depois ele deitou-se ao meu lado e percebendo que eu estava quebrada, debruçou-se sobre mim e olhando firmemente em meus olhos, já quase fechados, falou bem baixinho: obrigado amor, agora posso morrer em tranquilo. Dormimos por mais de oito horas. E só ao acordar é que lembrei da promessa. E o medo tomou conta de mim novamente. Totalmente irritada eu o sacudi até que ele acorda-se e perguntei-lhe bem rudemente:   Como pode fazer isto comigo? Seu canalha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

FALA AI, SENHOR DAVI

                              DEPOIMENTO DE UM DROGADO MORTO EM 2005    Esta experiência de estar aqui revelando minha passagem quando...