Parece que a minha indagação mexeu com o Professor que de imediato olhou para o Senhor como que apelando para uma resposta positiva. Deu-me a entender que o Professor Sucupira estava aguardando alguém para socorre-lo neste seu momento de transição.
O Senhor Davi olhou de forma mansa para nós e começou a responder-me: Existe sim meu jovem, mas só em determinados casos, por exemplo, em mortes trágicas: acidentes de todos os tipos, uma guerra, catástrofes causadas pela natureza. Estes são alguns dos casos em que existe o nosso auxílio.
Posso disser então que isto ocorre em casos de mortes bruscas? Perguntei.
Então essa história de que "chegou a sua hora", é papo furado? Complementou o Professor encima da minha pergunta.
Vamos por partes, respondeu o Sr. Davi. Vou citar um exemplo para melhor esclarecer: um jovem ciclista sai para pedalar numa manhã de domingo, como uma forma de aperfeiçoamento físico e no trajeto é atropelado. Seu desencarne ocorre ali mesmo, na hora, em plena pista, sem tempo algum para um socorro. Este é um caso que necessita de um auxílio que irá acontecer por intervenção nossa ou até mesmo de um ente querido do desencarnado, mas se o desencarne se der depois do socorro prestado, seja dali a dez minutos, algumas horas ou semanas, então não há necessidade da nossa intervenção. E respondendo ao Professor, ninguém nasce com a data certa de vencimento, ou seja, de desencarnar. Tudo é pura balela, invencionice religiosa para consolar os que ficam.
Como fiquei mais curioso ainda, não resisti e perguntei: e no caso de uma pessoa que está sozinha e é ferida gravemente levando horas para morrer, como fica?
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