segunda-feira, 5 de junho de 2017

FALA AI, SENHOR DAVI



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                              DEPOIMENTO DE UM DROGADO MORTO EM 2005

   Esta experiência de estar aqui revelando minha passagem quando encarnado, acaba aqui neste capitulo. Creio que já descrevi o suficiente do que é um drogado. Não é humano é um animal que precisa de cuidados, pois como tal não raciocina, só pensa em alimentar aquilo que lhe causa prazer. Não têm amor próprio e nem em ninguém. Despreza sua vida, bem como a de qualquer outro. Quem melhor entende um drogado é o traficante, pois ele o trata como um objeto sem alma e desprovido de qualquer tipo de sentimento humano. É rude, é direto e sem rodeios os coloca nos seus devidos lugares. Nunca trate um drogado como um coitado, vitima da sociedade ou coisa parecida. Isto é o que ele menos precisa. O drogado deve ser tratado com rispidez e muitas regras, um duro tratamento de choque que é a única forma de recuperá-lo.
   Não irei acusar ninguém por tudo que aconteceu comigo, pois noventa porcento eu fui o responsável, Os outros dez porcentos, deixo para o infortúnio de haver nascido em uma família, que como muitas outras, apenas visam a proteção e o bem material aos seus descendentes. De nada adianta provê-los do melhor, da boa educação,de diversões e fazê-los viver num mundo fora da realidade. O dialogo é fundamental entre pais e filhos e isto está cada vez mais raro, bem como a dissolução da família e os valores morais.
   Aqui deste lado, vejo tudo diferente e estou ciente que faço parte de uma rede a qual não existe escape. Somos interligados e recebemos o retorno de tudo que vibramos, pois somos energias. Estamos cientes que nada podemos fazer para mudar a consciência coletiva na qual vivem os encarnados e que por mais que a realidade lhes seja cruel, nós só podemos orar para que esta lhes seja leve.
   Sei que estão curiosos para saber que vim levaram meus pais, Nadine, Romero e como morri. Nadine e seu pai, continuam vivos e fazendo o que sabem fazer de melhor, gerando novos zumbis e se enriquecendo com a desgraça alheia. Seu pai está paraplégico e Nadine já teve que extrair os dois seios, mas o pior ainda está por vir. Papai se matou depois que foi abandonado por todos ao perder tudo. Mamãe, envelheceu e perdeu a beleza da juventude e hoje vive num asilo para velhos sustentado pela igreja católica, e eu, fui assassinado depois de haver roubado  uma pedra de craque de
 um playboy na porta de uma balada em São Paulo.
   Desejo a todos sorte e meus sinceros votos de felicidade.
   Obrigado.

domingo, 4 de junho de 2017

FALA AI, SENHOR DAVI

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               DEPOIMENTO DE UM DROGADO MORTO EM 2005 - III

    Ao cair na real, percebi que estava com uma arma na mão e minhas roupas totalmente ensanguentadas. Quase não lembrava de nada, minha mente era um emaranhado de cenas.
   Nadine chamou seus seguranças e ordenou que me levassem a um médico e depois ao seu pai. Ainda pude ver Carlito e os demais zumbis, colocarem o corpo de Lúcia no porta malas do carro dela e saírem em em disparada como um bando de alucinados.
  Tive o tornozelo enfaixado e fui levado até o escritório do Senhor Ramiro, pai de Nadine. O cara era grande e muito rude. Deu-me vários tapas na cara, gritando que eu tinha arrumado a maior encrenca de minha vida.
  Nadine entrou em cena dizendo que a polícia já tinha descoberto o corpo e que Carlito já havia contado tudo aos policiais que agora estavam na minha captura. A versão de Carlito é que ele havia sido golpeado na nuca e ficou desacordado e que ao acordar só conseguiu me ver atirando em Lúcia, jogar o corpo no porta malas e sair correndo.
  Nadine já havia dado ao seu pai toda minha ficha, quem eu era e filho de quem. Agora eu estava nas mãos de seu pai. Nadine antes de sair, olhou bem nos meus olhos e falou: Rapaz, você acabou com sua vida. Se acredita em Deus, peça para ele de levar o quanto antes.
  Eu era tão desligado dos negócios de papai, que nem sabia onde era fazenda dele no Uruguai. Mas o Senhor Ramiro, já sabia de tudo inclusive do advogado que cuidava da fazenda e dos negócio de papai naquele país.
  Novamente comecei a sentir vontade de me drogar. Olhava o pai de Nadine andando ao redor da cadeira que eu estava sentado. Ele parecia pensativo,como alguém que estivesse arquitetando algum plano para se livrar de mim. Tinha na mão uma navalha, que as vezes, deslizava-a no meu rosto e foi numa destas vezes que ele, num golpe rápido, decepou minha orelha direita. A dor foi terrível, gritei como um louco e fui desacordado com um ponta pé na cara.
  Não sei quanto tempo fiquei desmaiado. Ao acordar senti um gosto de sangue na boca, percebi que havia quebrado alguns dentes na boca. Ouvi então a voz do Senhor Ramiro a falar no telefone:
   O Senhor têm que entender que as autoridades daqui cobram muito caro quanto se trata de um incidente internacional. Não tenho como negociar. Ou entregam o que estou pedindo, ou terei que entregar o rapaz ás autoridades. Dou-lhes 48 horas para mandarem as documentações de vendas das fazendas. Os nomes dos pseudos compradores estão na carta que lhes enviei junto com a orelha do moleque. Se precisarem de mais provas, posso cortar uma das suas mãos e lhes enviar.
   A princípio não entendi nada, até que o Senhor Ramiro se aproximou de mim e falou:
Agora reze seu idiota, para que seu pai siga minhas orientações e assine logo os documentos de vendas das suas fazendas. Foi a única forma que encontrei junto ás autoridades para tirá-lo desta encrenca e levá-lo de volta ao seu país.
   Na verdade eu nem liguei para o que ele falou. Estava mais preocupado com as minhas dores e com  a vontade de me drogar que era a cada minuto mais forte. Cheguei até a implorar para o Ramiro, por um baseado ou qualquer outra coisa.
   Fui levado para um quarto, onde havia um sofá e uma garrafa de água com um copo. Tratei de lavar minha boca que ainda sustentava um forte gosto de sangue. Ficaram comigo dois seguranças que me olhavam e riam como se a situação lhes fosse propícia para alguma coisa. Um deles então me perguntou:
   Hei, garoto? Quer um baseado dos bons?
   Aquela pergunta foi um balsamo para meus ouvidos. Sim, quero sim.
   E o que pode nos dar em troca? Isto não vai ser de graça. Falou com um largo sorriso nos lábios um dos seguranças.
   Eu não tenho nada para dar, não percebeu que estou fodido? Respondi.
   O outro segurança se aproximou de mim e abaixando as calças, tirou seu membro para fora e falou: Têm sim, boca santa. Chupa e terá um  grande e gostoso baseado para fumar.
   O outro então se aproximou e falou:
   E se nos der esta bundinha terá uma carreirinha inteira para cheirar. É pegar ou largar.
   A droga nos leva a degradação total. Não pude resistir á oferta e com a boca toda quebrada, optei pela carreirinha.

   Continua




   










sábado, 3 de junho de 2017

FALA AI, SENHOR DAVI


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              DEPOIMENTO DE UM DROGADO MORTO EM 2005 - II

      Quando fui despejado do apartamento que morava, o senhorio aproveitou-se da minha saída e trocou a fechadura. Ao retornar não podendo abrir a porta fui lhe reclamar. Ele disse que assim que lhe paga-se o montante devido ele abriria a porta e deixaria que pega-se minhas coisas.
     Já havia transcorrido uma semana deste episódio, quando lembrei-me que eu ainda tinha alguns trocados  no banco. Mais que depressa corri para lá, já haviam sacado tudo, estava zerado. Só depois soube que foi o advogado de meu pai que havia feito isto, a pedido dele.
   O advogado de papai era Uruguaio e um dos responsáveis pela fazenda alem de ser homem de total confiança de papai. Assim que soube do meu despejo, tratou de quitar os alugueis atrasados e deve permissão de entrar no apartamento onde vasculhou minhas coisas e acabou sabendo do meu envolvimento com as drogas e com Nadine. Ligou para papai  e contou-lhe tudo, alertando-o que eu corria sério risco por estar envolvido com a folha de um dos maiores traficantes de lá. Papai orientou-o a não medir esforços para me localizar e que no dia seguinte embarcaria ao encontro dele no Uruguai.
   Minha situação era caótica, sem dinheiro, sem banho, sem fome mas com desejo enorme de uma carreirinha que fosse ou um simples cigarrinho de maconha. Não pensei duas vezes, fui até a casa de Nadine. A casa era enorme, tomava um quarteirão inteiro e cercada de seguranças por todos os lados. Eu sempre fora bem tratado, era pessoa frequente naquele lugar e Nadine era uma amigona. Só que não. Eu não tinha a menor ideia da minha aparência, muito menos do meu cheiro. Mal cheguei no portão já fui recepcionado por um brutamontes armado que aos socos e ponta pés me expulsou de lá. Por várias vezes gritei pelo nome de Nadine, mas foi em vão. Numa das quedas acabei torcendo o tornozelo e não bastasse o que já estava passando, ainda me acontece mais esta. Minha única esperança era voltar ao prédio dos desesperados, como era conhecido o local que Nadine havia me levado. Achei que estando lá poderia arrumar alguma droga com os amigos, para me aliviar. Já havia quase uma hora que estava me arrastando, quando ouvi uma buzina e meu nome sendo chamado. Era Lúcia, uma amiga da faculdade. Lúcia era de origem Portuguesa e seus pais eram produtores de vinho em Portugal. Ela vivia com os avós no Uruguai desde que seus pais se separaram. Ela era muito bonita, garota de fino trato. Nem sei como ela me reconheceu, mas de imediato perguntou: O que aconteceu Alonso? Precisa de ajuda?
   Sim, preciso sim? Pode me dar uma carona? Respondi.
   Ela foi toda solícita. De pronto abriu a porta do seu carro e mandou-me entrar. Fez um monte de perguntas que eu só respondia com outras perguntas. Expliquei onde queria ficar e pedi que fosse o mais rápido possível. Ela com certeza percebeu meu estado decadente, de drogado, afinal era inteligente. Parou de fazer perguntas e me ofereceu uma barra de chocolate. Agradeci e peguei, pois aquela barra poderia ser uma moeda de troca por um baseado. Assim que chegamos, ela desceu e me ajudou a entrar. Meu tornozelo estava do tamanho de um abacate e muito dolorido. Assim que entramos ela tapou o nariz, tal era o a mau cheiro. Não demorou muito o pessoal de lá começou a aparecer, como zumbis que surgem das sombras. Lógico que Lúcia entrou em desespero e apos acomodar-me numa velha e suja poltrona, desculpou-se por ter que ir embora. Eu agradeci e antes que saí-se lhe pedi algum dinheiro emprestado. Ela alegou estar desprevenida e que só possuía o cartão. Antes que pudesse abrir sua bolsa foi empurrada por um dos zumbis. Tentei reagir mas a dor no tornozelo falou mais forte. O zumbi que a empurrou, era Carlito, uma espécie de dono da zona. Ele revirou a bolsa e alem do cartão, nada mais achou. Olhou-a friamente e depois perguntou-me, quem era ela? Uma amiga da faculdade, respondi de pronto.
   Você tá mal, meu irmão. Falou Carlito. Tá precisando de uma pedra ou  prefere uma picada na veia?
   Qualquer coisa. Respondi.
    Legal, meu irmão. Vou te arrumar uma na veia, assim você se acalma um pouco e dorme depois. Mas a garota é minha. Combinado? Falou Carlito, rindo como um louco.
    Ouvia os gritos de Lúcia, enquanto aplicava o LSD no meu braço. Ela foi estuprada por todos os homens que estavam lá. Suas roupas foram repartidas com as demais drogadas, que tudo assistiam, sem nada fazerem, assim como eu que me deliciava, com o efeito da droga já na cabeça.
   Quando tudo estava consumado, me deitei ao lado de Lúcia, que chorava copiosamente. Pedi que se acalma-se, que tudo já havia passado, que tudo ia ficar bem. Neste momento, sua cabeça explodiu na minha cara, A principio não entendi nada, até ri, sai de perto dela, me deitei e dormi.
   Fui rudemente acordado por Nadine, que aos gritos me ofendia todos os palavrões, dizendo como podia ser tão idiota de ter sequestrado, estuprado e matado a neta de um Militar. Agora eu teria que sumir de lá para sempre e rápido.


    Continua...



 









FALA AI, SENHOR DAVI

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       DEPOIMENTO DE UM DROGADO MORTO EM 2005.

   Meu nome é Alonso. Nasci em 1977 e faleci em 2005. Fui viciado em todos os tipos de droga e estou aqui para contar um pouco do que vivi,  porque fui levado ao vício. Espero que sirva de alerta a que ler.
   Nasci em berço esplêndido, meus país eram criadores de gado de corte. Tínhamos três grandes fazendas, uma inclusive no Uruguai. Nunca fui um garoto interessado pelos negócios da família, mas era desejo do meu pai que me forma-se em veterinária e desta forma, indiretamente estaria envolvido com seus negócios.  De família católica cumpri meus primeiros anos de estudos num colégio dirigido rigidamente por padres e freiras em período integral.
   Papai e mamãe viviam uma vida de aparências e de interesses comerciais e sociais. Papai tinha várias amantes e mamãe não ficava para trás. Por ser filho único, aos sábados, domingos, feriados e férias, era paparicado em demasia e sempre tratado, mesmo com dezessete anos, como uma criança de quatro ou cinco anos. Praticamente não tinha amigos, salvo os da escolas, mas mesmo assim era constantemente motivos de chacotas em razão das vidas amorosas de meus pais, sempre metidos em escândalos.
   Ao completar 18 anos, para livrar-me do serviço obrigatório do exército, papai  mandou-me para o Uruguai onde deveria estudar veterinária em uma faculdade arranjada por ele. Lá conheci Nadine, uma garota fantástica, cheia de vida e muito natural. Nadine tinha um grande número de amigos e vivia fazendo festas em sua casa, da qual virei assíduo frequentador. Nas festas rolava de tudo, bebidas, sexo, drogas e rock and roll. Depois de dois anos é que fui descobrir que o pai de Nadine era traficante e que as festinhas faziam parte dos negócios dele. A maioria dos frequentadores não eram nativos,mais de oitenta porcento eram oriundos de outros países; Inglaterra, Japão, Índia, Canada, França, Chile e Colômbia. Fomos presas fáceis para eles, todos sozinhos e endinheirados. Para encurtar a história, quando dei por mim já era um viciado em LSD, cocaína e maconha. O dinheiro que papai mandava para um mês dura apenas uma semana, se muito. Não preciso disser que fui expulso da faculdade por falta de pagamento das mensalidades. Sem ter onde morar, pois também deixei de pagar o aluguel, procurei Nadine que levou-me em um prédio praticamente abandonado onde existiam outros drogados que serviam de aviõezinhos para o pai dela. Era uma forma de pagar pela moradia.
   Quando papai soube que fui expulso da faculdade tentou me ligar e soube que havia sido despejado. Mandou então que um dos seus advogados fosse procurar-me e cortou imediatamente minha mesada. Começava então minha peregrinação pelo inferno.

Continua.










sexta-feira, 2 de junho de 2017

FALA AI, SENHOR DAVI


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                          A CRACOLÂNDIA VISTA POR NÓS - II

    A Guerra do Ópio, ocorrida entre China e Inglaterra no inicio e no final do século XIX, é a prova mas cabal de que governos usam a droga para seus interesses próprios. Na época China a dificultava o comércio Europeu com o mundo Asiático. A Inglaterra clandestinamente injetou o ópio na população criando milhões de zumbis chineses para o desespero do governo chines que se viu obrigado a ceder aos interesses ingleses. Esta guerra, gerada por interesses comerciais, deu-se por duas vezes, no início e no final do século XIX, devastando a sociedade chinesa e gerando impérios da droga neste país. O próprio governo chines sucumbiu com vários políticos que acabaram se envolvendo com o tráfico da droga e cedendo aos interesses do império britânico. A população viciada na droga (ópio) virou uma enorme cracolândia e seus dependentes faziam qualquer coisa para obtê-la. A prostituição alastrou-se rápidamente assim como as doenças venéreas. As pessoas se entregaram ao vício ao ponto de pararem de trabalhar e gastar todas suas reservas financeiras na compra das drogas, depois só lhes restavam vender o que tinham, roubar e se prostituírem ou prostituir, esposas, filhas ou filhos. Quando a Inglaterra atingiu seu intento, pela segunda fez no final do século XIX, simplesmente eliminou os traficantes chineses e cortou o embarque da droga para China. Ocorreu então um grande índice de suicídios entre os viciados. A China levou anos para se recuperar deste grande golpe contra sua população e sua economia.
   Não pensem que isto ocorreu só na China, isto ainda ocorre em muitos países do globo terrestre. O narcotráfico mostrou-se altamente lucrativo e governos corruptos alienaram-se aos traficantes facilitando o comércio ilegal das drogas que são cada vez mais devastadoras ao usuário.
  No Brasil as coisas não são nada diferentes e tendem a piorar até mesmo pela atual situação que o país vive. A  marcha pela liberação da droga não interessa ao governo nem aos traficantes, pois isto acabaria com outra grande fonte de lucros que é o comércio ilegal de armas.
  Nosso alerta é para que fiquem sempre atentos em seus entes queridos e não os deixem trilhar por este quase irreversível caminho. Não contem com a ajuda dos seus governantes, pois para eles não é interessante ter um povo sadio e longe das drogas.
  Apenas para conhecimento de vocês, recentemente descobrimos que muitas empresas e órgãos do funcionalismo público, estão permitindo que seus funcionários consumam maconha no horário de trabalho, alegando ser uma terapia contra o stress. Isto sem contar que grandes centro universitários já possuem locais exclusivos para que alunos se droguem sem serem incomodados. Fica o alerta. 

   Falei.  








FALA AI, SENHOR DAVI

                              DEPOIMENTO DE UM DROGADO MORTO EM 2005    Esta experiência de estar aqui revelando minha passagem quando...