sábado, 3 de junho de 2017

FALA AI, SENHOR DAVI


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              DEPOIMENTO DE UM DROGADO MORTO EM 2005 - II

      Quando fui despejado do apartamento que morava, o senhorio aproveitou-se da minha saída e trocou a fechadura. Ao retornar não podendo abrir a porta fui lhe reclamar. Ele disse que assim que lhe paga-se o montante devido ele abriria a porta e deixaria que pega-se minhas coisas.
     Já havia transcorrido uma semana deste episódio, quando lembrei-me que eu ainda tinha alguns trocados  no banco. Mais que depressa corri para lá, já haviam sacado tudo, estava zerado. Só depois soube que foi o advogado de meu pai que havia feito isto, a pedido dele.
   O advogado de papai era Uruguaio e um dos responsáveis pela fazenda alem de ser homem de total confiança de papai. Assim que soube do meu despejo, tratou de quitar os alugueis atrasados e deve permissão de entrar no apartamento onde vasculhou minhas coisas e acabou sabendo do meu envolvimento com as drogas e com Nadine. Ligou para papai  e contou-lhe tudo, alertando-o que eu corria sério risco por estar envolvido com a folha de um dos maiores traficantes de lá. Papai orientou-o a não medir esforços para me localizar e que no dia seguinte embarcaria ao encontro dele no Uruguai.
   Minha situação era caótica, sem dinheiro, sem banho, sem fome mas com desejo enorme de uma carreirinha que fosse ou um simples cigarrinho de maconha. Não pensei duas vezes, fui até a casa de Nadine. A casa era enorme, tomava um quarteirão inteiro e cercada de seguranças por todos os lados. Eu sempre fora bem tratado, era pessoa frequente naquele lugar e Nadine era uma amigona. Só que não. Eu não tinha a menor ideia da minha aparência, muito menos do meu cheiro. Mal cheguei no portão já fui recepcionado por um brutamontes armado que aos socos e ponta pés me expulsou de lá. Por várias vezes gritei pelo nome de Nadine, mas foi em vão. Numa das quedas acabei torcendo o tornozelo e não bastasse o que já estava passando, ainda me acontece mais esta. Minha única esperança era voltar ao prédio dos desesperados, como era conhecido o local que Nadine havia me levado. Achei que estando lá poderia arrumar alguma droga com os amigos, para me aliviar. Já havia quase uma hora que estava me arrastando, quando ouvi uma buzina e meu nome sendo chamado. Era Lúcia, uma amiga da faculdade. Lúcia era de origem Portuguesa e seus pais eram produtores de vinho em Portugal. Ela vivia com os avós no Uruguai desde que seus pais se separaram. Ela era muito bonita, garota de fino trato. Nem sei como ela me reconheceu, mas de imediato perguntou: O que aconteceu Alonso? Precisa de ajuda?
   Sim, preciso sim? Pode me dar uma carona? Respondi.
   Ela foi toda solícita. De pronto abriu a porta do seu carro e mandou-me entrar. Fez um monte de perguntas que eu só respondia com outras perguntas. Expliquei onde queria ficar e pedi que fosse o mais rápido possível. Ela com certeza percebeu meu estado decadente, de drogado, afinal era inteligente. Parou de fazer perguntas e me ofereceu uma barra de chocolate. Agradeci e peguei, pois aquela barra poderia ser uma moeda de troca por um baseado. Assim que chegamos, ela desceu e me ajudou a entrar. Meu tornozelo estava do tamanho de um abacate e muito dolorido. Assim que entramos ela tapou o nariz, tal era o a mau cheiro. Não demorou muito o pessoal de lá começou a aparecer, como zumbis que surgem das sombras. Lógico que Lúcia entrou em desespero e apos acomodar-me numa velha e suja poltrona, desculpou-se por ter que ir embora. Eu agradeci e antes que saí-se lhe pedi algum dinheiro emprestado. Ela alegou estar desprevenida e que só possuía o cartão. Antes que pudesse abrir sua bolsa foi empurrada por um dos zumbis. Tentei reagir mas a dor no tornozelo falou mais forte. O zumbi que a empurrou, era Carlito, uma espécie de dono da zona. Ele revirou a bolsa e alem do cartão, nada mais achou. Olhou-a friamente e depois perguntou-me, quem era ela? Uma amiga da faculdade, respondi de pronto.
   Você tá mal, meu irmão. Falou Carlito. Tá precisando de uma pedra ou  prefere uma picada na veia?
   Qualquer coisa. Respondi.
    Legal, meu irmão. Vou te arrumar uma na veia, assim você se acalma um pouco e dorme depois. Mas a garota é minha. Combinado? Falou Carlito, rindo como um louco.
    Ouvia os gritos de Lúcia, enquanto aplicava o LSD no meu braço. Ela foi estuprada por todos os homens que estavam lá. Suas roupas foram repartidas com as demais drogadas, que tudo assistiam, sem nada fazerem, assim como eu que me deliciava, com o efeito da droga já na cabeça.
   Quando tudo estava consumado, me deitei ao lado de Lúcia, que chorava copiosamente. Pedi que se acalma-se, que tudo já havia passado, que tudo ia ficar bem. Neste momento, sua cabeça explodiu na minha cara, A principio não entendi nada, até ri, sai de perto dela, me deitei e dormi.
   Fui rudemente acordado por Nadine, que aos gritos me ofendia todos os palavrões, dizendo como podia ser tão idiota de ter sequestrado, estuprado e matado a neta de um Militar. Agora eu teria que sumir de lá para sempre e rápido.


    Continua...



 









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