domingo, 30 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-37

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   A moça está coberta de razão. Falou o Professor.
   Isto são promessas em vão, meu caro Professor. Respondeu o Senhor Davi. De nada valem.
   Voltamos então nossa atenção para o diálogo das duas moças.
    Ele, se levantou  e riu como se eu estivesse brincando. Falou a chorosa com um ar de raiva.
    Querida, tudo não passou de uma brincadeira. Tenho certeza que nem ele levava isto a sério. Sabe como são os homens quando descobrem nossos medos.
    Não Raquel, ele não estava brincando. Sempre falou isto e depois daquela noite, ficou ainda pior. Escrevia recados, fazia dedicatórias, que sempre terminavam  assim: Lembre-se da nossa promessa.
    É verdade. Eu me recordo desta frase no seu bolo de noivado. Falou Raquel.
    No seu velório, sua mãe me vendo inconsolada me disse em alto e bom som; Fique tranquila Júlia, ele prometeu que viria buscá-la e virá. O Gil sempre cumpriu o que prometia.
    Ora Júlia, foi só uma forma de falar para ver se a consolava naquele momento tão doloroso para vocês. Tudo não passou de uma brincadeira.
    Não Raquel, não foi uma brincadeira. A imagem ainda está clara em minha mente, quando ele no seu leito de morte segurou minha mão, respirou fundo e disse bem baixinho: Júlia lembre-se da nossa promessa. Sorriu e morreu.
   Júlia, você está obcecada com esta ideia. Precisa procurar ajuda de um especialista. Disse sua amiga num tom bem severo.
  Não Raquel, eu não preciso de ajuda nenhuma. Só quero que ele cumpra nossa promessa. Não suporto mais esta espera. Todo dia eu acordo imaginando que será o último, que hoje ele virá me buscar. Toda noite, ao menor ruido, eu acho que é ele chegando para me levar.
  Júlia, por favor, você não pode levar isto a sério. Estas coisas não existem, ninguém têm este poder. Só Deus sabe a hora da nossa partida, mais ninguém. Falou Raquel bem rispidamente.
   O Gil falava que para o amor não existem barreiras e você sabe o quanto nós nos amamos. Respondeu Júlia, também rispidamente.
   Sua amiga deu alguns passos em direção a saída e de repente voltou-se e perguntou: Tá bom, digamos que esta promessa seja válida, ele deu algum prazo para que ela aconteça?
  Júlia, riu e falou calmamente: Mas é claro. Não se faz um acordo sem prazo. E a nossa promessa era de que no máximo em quatro meses, quem fosse primeiro víria buscar o outro. O Gil até queria um prazo maior, mas eu fui contra, afinal a ideia havia partido dele. Então quando menos tempo melhor para ambos.
   Júlia, cai na real, isto é pura loucura. Estas coisas não existem. Você é jovem e bonita e têm toda uma vida pela frente. Alem do mais, já se passou quase um ano que o Gil morreu.
   Eu sei contar sua idiota. Respondeu Júlia grosseiramente. E sabe por que vim aqui hoje?
   Depois de todo ocorrido, tenho certeza que não. Respondeu Raquel, bastante chateada.
   Então ouçam com muita atenção. Vocês dois. Falou Julia olhando para o túmulo do Gil: Se ele não vier me buscar, como prometido, num prazo de 25 dias, que é quando completa um ano da sua morte, eu virei aqui e sobre seu túmulo me matarei. Raquel, queira ou não queira, você agora é testemunha da minha promessa.
    Porca miséria, a moça endoidou por completo. Faça alguma coisa Senhor Davi. Falou o Professor desesperado.
 

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-36


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     A cena era por demais triste, a moça que amparava a chorosa, tentava, em vão, de todas as formas consolá-la; Calma querida. A vida continua e ele não está mais aqui. Vem, vamos embora.
    Não eu exijo uma resposta. Disse a  outra, numa mistura de inconformismo e ódio.
    Querida, quando o Gil morreu, ele estava sedado, sequer sabia o que estava falando, mal reconhecia as pessoas. Lembra-se?
     Sim claro. Mas e os outros demais dias durante os quatro anos que vivemos juntos? Também estava sedado? Respondeu a chorosa, muito bruscamente. Então sentou-se sobre o túmulo e mais calma falou: Ele dizia que me amava e que nem a morte nos iria separar. Certa vez, embaixo do chuveiro, ele me fez prometer, que quem morre-se primeiro víria buscar o outro. Eu era cagona, morria de medo dessas coisas de fantasmas. A princípio não topei e falei que não, que nem dormiria só de pensar nisto.
    Tolinha, ele estava brincando com você. Sabia que você morria de medo dessas coisas. Nem em velório você gosta de ir. Certo? Perguntou sua amiga, com um sorriso nos lábios.
    É, mas o tempo foi passando e ele sempre me fazendo a mesma pergunta: "Vamos nos prometer, que quem morrer primeiro virá buscar o outro"?. Teve até uma vez que eu explodi. Sai da cama, vesti minhas roupas e fui embora. Fique três dias sem ligar para ele . Achei até que tudo havia terminado entre nós. Mas ai, no quarto dia ao sair do escritório, lá estava ele, com um buquê de rosas brancas, e uma reserva para uma mesa no restaurante que eu mais gostava. Ele só disse: Estou perdoado? Não resisti, eu o abracei e o beijei muito e disse:  Sim meu amor, eu te amo muito. E quando ia continuar a falar ele me beijou como que diz: chega, não precisa falar mais nada.
   Foi uma noite maravilhosa, levamos até uma garrafa de vinho, depois do jantar, para bebermos no meu apartamento. Minha cabeça rodopiava entre seus beijos, carícias e taças de vinho. Aos poucos ele me desnudou, e fizemos amor como nunca havíamos feito e num dado momento, ele todo dentro de mim, parou e olhou meigamente em meus olhos e disse: então? Prometa-mos, um ao outro. Quem partir primeiro, vem buscar o outro? Meu êxtase era tanto, o prazer estava a um ponto de estourar num enorme gozo, que eu respondi eloquentemente; Sim meu amor, sim, nossa promessa está selada. Ele mordeu meu pescoço, fez dois ou três movimentos com a cintura e tivemos múltiplos gozos.  Depois ele deitou-se ao meu lado e percebendo que eu estava quebrada, debruçou-se sobre mim e olhando firmemente em meus olhos, já quase fechados, falou bem baixinho: obrigado amor, agora posso morrer em tranquilo. Dormimos por mais de oito horas. E só ao acordar é que lembrei da promessa. E o medo tomou conta de mim novamente. Totalmente irritada eu o sacudi até que ele acorda-se e perguntei-lhe bem rudemente:   Como pode fazer isto comigo? Seu canalha.

sábado, 29 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-35


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   Apesar da pergunta ter pego o Professor de surpresa, ele logo se recompôs e respondeu com ironia: Não penso nesta hipótese, mas se tivesse que escolher, acho que seria um jumento pois, sempre fui muito teimoso.
   Todos nós rimos com a resposta sincera do Professor Sucupira. De pronto o Senhor Davi emendou:
    Creio Professor, que se assim fosse, o mundo logo estará repleto de jumentos, visto que o que mais temos aqui, são teimosos.
   Mais uma vez todos rimos imaginando um planeta repleto de jumentos.
   Senhor Davi, ainda sobre o Bereta e a hipótese de se tornar um animal. O tempo que ele habitar um corpo animal é justamente o tempo que a onda levará para chegar à Izaúra. Estou correto? Perguntei.
   Sim meu Jovem. Independente do que a Izaúra responda, assim que a onda chegar a ela o Bereta desencarna como animal e volta para a estrada.
   Então, não importa onde ela esteja, a onda vai chegar até ela. Falei certo? Disse o Professor.
   Sim Professor, está correta sua observação. Respondeu o Senhor Davi.
   E como isto ocorre? Perguntei.
   Bem, vai depender de onde ela esteja. Respondeu o Senhor Davi. Se tiver encarnada em outra matéria, aqui nesta dimensão, será durante um sono. Caso esteja em uma dimensão inferior, será por meio de um djavú terrível. E se ela tiver abandonado o voluntariado e estiver de volta ao seu habitat, será por meio de uma lembrança muito vaga de uma experiência que ela teve quando aqui encarnada como voluntaria.
  Poxa, isto é complexo e justo. Falei com certa perplexidade.
  Sim meu jovem, tudo é muito justo e será cada vez mais a medida que o tempo passar e novos seres forem habitando este planeta. Respondeu o Senhor Davi. Esta é a meta do projeto Gaya. Tornar deste planeta o local onde seus habitantes sejam os mais sábios e justos possíveis e que possam levar todos seus conhecimentos por este Universo afora. Gerar mais e mais planetas habitados por seres como eles é a outra etapa do projeto. Portanto temos muito serviço pela frente.
   Por uns instantes ficamos em um silêncio meditativo, até ele foi quebrado por um soluço choroso de uma moça postada ao lado de um túmulo. Ela estava acompanhada de uma outra jovem, que a abraçava e ouvia o lamento da amiga:
   Ele prometeu que víria me buscar e já se passou quase um ano. Porque, porque, Gil?

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-34


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    O Senhor Davi inspira confiança pela sua forma de falar, pelo seu semblante sereno e principalmente pelo seu sorriso irônico diante de certas atitudes nossas e não foi diferente desta vez. Calmamente ele respondeu: Deveria se lembrar, Professor, que o Bereta já está desencarnado e pelo demonstrado, arrependido de parte do que fez na vida. Se for seu desejo de reencarnar como um animal, saberá em que tipo e que espécie. Não o julgue pelo o que o Senhor conheceu de um Bereta encarnado a história agora é outra e caberá a ele se redimir ou abandonar tudo.
   Senhor Davi, se a Izaúra concordar em ouvi-lo, e ele estiver reencarnado. O que acontece? Perguntei.
    Simples, ele desencarna e terá seu segundo desejo realizado. Respondeu o Senhor Davi. E antes que me pergunte: e se ela não estiver interessada em conversar com ele?  Então ele passará um tempo vivendo a experiência que escolheu desencarnará, e terá que escolher entre passar o portal ou descer para uma dimensão inferior. Faz-se necessário uma observação que sempre passa despercebida, por mim. Já repararam como o humano é a favor do sacrifício de um animal, principalmente os de estimação? Poque será, né? Pensem nisso, liguem os pontos e chegarão a uma conclusão obvia.
   É, a maioria não quer ver o bichinho sofrer e prefere o sacrifício. Concordei rapidamente.
    Já repararam, como cada vez mais os animais de corte são abatidos mais prematuramente? Como o humano inventa inseticidas mais poderosos? Como a caça e a pesca predatória é incentivada? Perguntou o Senhor Davi. Mais uma vez. Liguem os pontos e terão uma resposta satisfatória de porque tudo isto vem ocorrendo cada vez mais frequentemente.
    Verdade. Olhando por este prisma, faz sentido. Falou o Professor. E também vale lembrar,  me corrija se estiver errado, como a ciência permite o nascimento de mais e mais animais de cortes, por meio da inseminação artificial.
    Corretíssimo, Professor. Isto significa que? Perguntou o Senhor Davi nos olhando de forma que já sabíamos a resposta.
 Que mais e mais desencarnados estão optando por isto. Falei.
  Bingo, meu jovem.
   E o Senhor, Professor já decidiu que animal vai querer ser? Perguntou o Senhor Davi, deixando o Professor totalmente surpreso.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-33



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   Olha, meu amigo espelho, eu já havia escutado um monte de revelações feitas pelo Senhor Davi, que deixaram-me boquiaberto, mas esta última, realmente, foi assustadora. Mais uma vez, o Senhor Davi ajustou-se dentro do seu terno, respirou fundo e começou a nos explicar:
   Senhores, antes de mais nada, é preciso que entendam que nada existe neste planeta que não seja necessário para o projeto e também que uma energia não pode ficar inerte por um longo período.  O ser, Bereta, não pode ficar sentado na estrada a espera da Izaúra, sua presença como voluntário é importante demais para isto, então deve ser aproveitada de outra forma, nesta dimensão, que seja utilizada posteriormente pelos estudiosos e analistas do projeto.
   Quer dizer que se ele resolver virar um animal, vai ser útil ao projeto? Perguntou o Professor. O Senhor está de brincadeira, né?
   Não Professor, é sério e muito sério. Respondeu o Senhor Davi, serenamente. Recorde-se que o ideal do projeto é criar um ser quase perfeito e experiências de vivencias são a matéria prima da obra final. O Senhor Bereta viveu várias experiências como uma energia humana encarnada, está vivendo agora experiências como uma energia humana desencarnada a espera de dois resultados, que são seus desejos. Certo? Se ficar a espera do segundo desejo se realizar, estará totalmente inoperante como energia e como voluntário nada estará trazendo de útil. Se não optar por uma das três oportunidades que lhe são apresentadas o que irá atrair é só desgosto e desespero. Estou sendo claro?
  Sim, sim. Continue. Respondi de imediato.
  O Senhor Davi riu pela forma como respondi e continuou: Ao aceitar a reencarnação como um animal estará contribuindo para o projeto vivendo experiências que serão úteis posteriormente. É fato comprovado cientificamente que certos animais possuem sentimentos bem próximos aos dos humanos, apesar de serem taxados de irracionais. Outros, como os insetos, apesar de não apresentarem nenhum tipo de sentimento semelhante aos humanos, são extremamente interessantes pelo seu modo de vida e preservação da espécie, o que muito interessa aos analistas e estudiosos do projeto. Então, porque ficar sentado na estrada se descabelando se pode passar este tempo vivendo novas experiências?
  Ok.  Nisto tenho que concordar com o Senhor. Agora me explica como o Bereta, pilantra como é, vai ser como um animal ou inseto? Vai fazer um estrago desgraçado no reino animal. No minimo vai querer ser uma cobra para sair picando as pessoas por ai. Falou o Professor  de uma forma que não entendi se falava sério ou brincava.
  O senhor Davi deu uma grande gargalhada e respondeu;  Calma Professor, a coisa não é bem assim.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-32


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   Estava na cara que ero algo que o Senhor Davi não estava muito afim de falar e sabe-se lá por qual motivo. Quando ele fez aquele breve momento de reflexão, como quem aguarda uma resposta, ficou claro para mim, que ele estava buscando palavras para nos responder. Seguiu-se então uma das revelações que jamais passou pela minha cabeça ser possível de ocorrer:
   Senhores, como sabemos Izaúra já não pertence ao mundo dos vivos como os seus filhos pertencem. Isto posto, o segundo desejo do Bereta é muito mais difícil de se realizar. Como somos energias, e não importa em que dimensão, sempre seremos energia, este desejo do Bereta gerou uma onda que aos pouco chegará ao seu destino, que é a Izaúra. Não sabemos onde o ser que foi um dia a Izaúra se encontra, ele pode ter reencarnado em outra matéria, ele pode ter regredido para uma dimensão inferior ou ainda, pode ter retornado ao seu verdadeiro lar, ou seja, abandonado o voluntariado. Esta parte ficou clara para os Senhores? Perguntou o Senhor Davi.
   Que ele já estava morta sim, o resto estava passando desapercebido, pelo menos para mim. Falou o Professor com ar de espantado. Achava que ela, a Izaúra, estaria de certa forma esperando ansiosamente para este encontro com seu marido-carrasco.
   Não Professor, como já mencionei e creio que o Senhor já deva estar notando, certos sentimentos desaparecem e outros tomam seu lugar. É claro que se a Izaúra deseja-se uma vingança ela estaria neste plano e seria facilmente localizada e os desejos de ambos, dela e do Bereta, concretizados. Mas não é o caso, para azar do Bereta. Respondeu o Senhor Davi.
  Ok. Então a Senhora Izaúra ultrapassou o desejo de vingança e não se encontra mais na dimensão que hoje se encontra seu marido. Certo? E o desejo de Bereta, tornou-se uma onda que irá, um dia, chegar a ela. Será que entendi correto? Perguntei.
  Exatamente meu jovem. Respondeu o Senhor Davi, cheio de orgulho por ter atingido seu objetivo de fazer-nos entender todo o processo para que o segundo desejo do Bereta seja atingido.
  Então o Bereta vai ficar sentado nesta estrada por um longo tempo. Se ferrou. Falou o Professor com certa ironia.
  Pode ser que sim e pode ser que não. Tudo vai depender de onde está a Izaúra e de como ela reagirá ao ser comunicada do desejo do Bereta de se desculpar. Falou o Senhor Davi. Porem existe um agravante para  o Bereta. Enquanto ele estiver na estrada e por ser energia, esta irá aos poucos se desgastando e ele poderá não ter seu segundo desejo atendido e ser jogado numa dimensão muito, mas muito inferior.
  Caramba, e tem como escapar? Perguntou o Professor, agora com ar de preocupado.
  Claro Professor e a opção será única e exclusivamente dele. Respondeu o Senhor Davi. Ele pode optar em abandonar este desejo e atravessar o portal. pode abandonar o desejo e ir para uma dimensão inferior, e por último aceitar que até que a  onda chegue a Izaúra, ele reencarne como um animal.
  O que??? Gritamos, eu e o Professor totalmente incrédulos com o que acabávamos de ouvir.

terça-feira, 25 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-31


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   Bingo Professor, respondeu o Senhor Davi com um largo sorriso. O que mais poderia ser? E assim ocorre com todos desencarnados, sem exceção. E como os Senhores podem ver, pode ser um longo caminho. E irá chegar a hora que o portal vai surgir e ele mesmo decidirá, se atravessa ou não.
   Senhor Davi, e se os desejos dele fossem outros? Perguntei.
   Não importa quais sejam os desejos, o papinho com a consciência, uma hora acontece. Respondeu o Senhor Davi. E tudo que for necessário extrair do ser, será extraído, para o seu melhor, para o seu crescimento, sua desenvoltura e isto ocorrido, caberá a ele decidir atravessar o portal, seguir a luz, como dizem certas religiões, ou, recomeçar tudo numa dimensão inferior.
   Então, do que valeu toda a experiência vivida pelo do Bereta, para o projeto Gaya? Perguntou o Professor.
  Valeu e de muito, meus amigos. Principalmente se ele resolver atravessar o portal, pois terá a oportunidade de encarnar novamente como uma pessoa melhor e continuar a colaborar com o projeto. Devo lembrar, que esta opção é dele pois ele pode resolver retornar para seu lugar de origem, seu verdadeiro lar, dando por acabado o seu voluntariado. E se por ventura ele se negar atravessar o portal e ser levado para uma dimensão inferior é porque ele, considerou lhe ser o melhor. Neste caso ele não poderá optar pelo abandono do voluntariado. Respondeu o Senhor Davi, com muita firmeza.
   Regredir para uma dimensão inferior não é uma auto-punição? Perguntei.
   Entenda como quiser, meu jovem. Respondeu o Senhor Davi. O importante é saber que não foi nenhum ser de barbas brancas com chaves penduradas na cintura quem deu o veredito final.
   Ok. Voltando ao Bereta. Perguntou o Professor. Digamos que ele tenha conseguido fazer com que a carta chega-se aos seus filhos. Como fica o outro desejo. O de pedir perdão para a Izaúra?
   O Senhor Davi, respirou fundo e olhou para o céu, como alguém que busca uma ajuda. Depois fechou os olhos como se tivesse ouvindo a resposta e então falou:

segunda-feira, 24 de abril de 2017

PROFESSOR SUCUPIRA MORREU - Parte-30


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      Antes de responder ao Professor, o Senhor Davi falou: Precisa ficar claro aos Senhores, que tudo que está ocorrendo ao Bereta, foi desejado por ele. Lembram-se? Disse ele,  que seus maiores desejos eram: que a carta chega-se aos seus filhos e perdoa-se com sua esposa. Vale recordar também, que ele confessa ao Professor, que por várias vezes o portal se abriu e ele não conseguiu entrar, pois algo o impedia. Portanto, não existe qualquer tipo de injustiça ou vingança no que está ocorrendo e sim a realização dos seus desejos para sua submissão. Fazem ideia de quantas formas de energias são necessárias para que estes desejos aconteçam? Agora respondendo ao Senhor, Professor: Sim, existem várias variantes. O advogado Jaime, pode achar que o que está sentindo seja uma doença e irá procurar um médico, que irá lhe impor uma série de exames, que poderá levar-lhe a um tratamento longe de seu escritório, ou quem saiba orientado por alguém resolva mudar seu escritório. Enfim, são tantas as situações, que levaria um tempo demasiado longo para expor todas. E antes que me indaguem, já respondo. Sim o Jaime pode morrer e então as coisas se complicam mais ainda para o Bereta, que terá que assombrar outra pessoa muito ligada ao Jaime para ter seu primeiro desejo atendido.
   Acho que a morte do Jaime seria o que de pior poderia acontecer ao Bereta. Falei.
   Não meu jovem. Respondeu o Senhor Davi: A carta pode se perder no tempo.
   Como assim? Perguntei, intrigado.
   O senhor Davi, respirou fundo fazendo uma careta de espantado também e falou: Simples, com o tempo a carta perderia sua validade, pois o próprio Jaime não estaria interessado em levar a carta aos filhos do Bereta, pois esta poderia comprometer sua carreira. Outro exemplo: a carta poderia ser jogada fora com a morte do Jaime ou ainda perder-se durante uma mudança do escritório, e por ia vai. São muitas as hipóteses.
  Poxa é tudo muito complicado. Falei um tanto quanto angustiado com a situação do Senhor Bereta.
  Meu jovem, eu lhes avisei para abrirem suas mentes. As coisas não ocorrem como num filme de Hollywood, em nem tudo a arte imita a vida. A realidade é bem outra. Respondeu o Senhor Davi, dando de ombros como quem diz: Paciência.  E continuou: Porem as coisas também podem acontecer de forma contrária a tudo que disse. Certo? Torçamos para que o melhor ocorra ao Bereta.
  Sim claro. Respondeu o Professor, que de imediato soltou outra questão: O que está ocorrendo ao Bereta é o tal papinho com a consciência na estrada que antecede ao portal?

domingo, 23 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-29


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    O Senhor Davi, riu compulsivamente com o meu espanto e falou: Calma meu rapaz, não é o que você está pensando. Você me remete aos séculos XVIII e XIX, quando os Ingleses acreditavam que fantasmas de reis e rainhas viviam aprisionados nas paredes de seus castelos. É bom recordar que somos todos energias em diferentes estados de fibração, eu e o Professor somos uma, você outra e o Bereta neste momento outra, que está em busca da carta que foi escrita por ele, portanto possui a sua energia nela. Agora que já sabe onde está a carta, terá que fazer com que a mesma chegue a seus filhos. Uma difícil e árdua tarefa. Concordam comigo?
   Claro, o cara é um fantasma. Como vai pegar a carta e levar para seus filhos? Disse o Professor num sarcasmo total.
   Mas deve haver uma forma, do contrário não teria sido levado até lá, onde está a carta. Falei mostrando estar bastante seguro do meu parecer. Só não sei como e acho que o Senhor Davi pode nos explicar.
   Mas é claro meu Jovem e seu parecer está corretíssimo. Então vamos lá, como isto irá acontecer? Falou o Senhor Davi: Jaime é o cuidador da carta  e o Bereta está no escritório dele. Seu desejo de que a carta chegue aos seus filhos irá gerar uma energia que um dia chegará ao Jaime. Este por sua vez, sentirá uma cobiça enorme de abrir a carta, esquecida no fundo de seu cofre, e ler seu conteúdo. Isto feito, se sentirá na obrigação de encaminhar a carta aos seus destinatários. Pronto, resolvido um dos desejos do Bereta.
  Pôxa, é tão simples assim? Reclamou o Professor.
  Depende do seu ponto de vista, Professor. Respondeu o Senhor Davi. Pense comigo, até que o Jaime sinta esta vontade de pegar a carta e a ler, pode levar um longo tempo. A vibração do desejo do Bereta não será captada de imediato como num passe de mágica, ou como o Senhor possa ter imaginado. Sem contar que podem ocorrer alguns contra tempos com o Jaime e ele ficar ausente de seu escritório por algum tempo. E pode ocorrer algo ainda pior, ele desencarnar.
  Putz, é mesmo eu não pensei nisto. Falou o Professor, parecendo menos contrariado.
  Então a vibração do desejo do Bereta só chega ao Jaime quando ele está no escritório? Perguntei.
  Exatamente meu jovem. Para o Bereta, seria melhor que a mesma estivesse na casa do Jaime. Respondeu o Senhor Davi.
   E de que forma esta vibração chega ao Jaime? Perguntei.
   São de várias formas, uma certa irritação ao chegar perto do cofre. Algum tipo de desconforto ao entrar no escritório. Lembranças repentinas e repetidas vezes do Bereta e até arrepios ao pegar qualquer envelope de carta. Respondeu o Senhor Davi.
  Realmente isto pode levar muito tempo até que o Jaime ligue os pontos. Falou o Professor, agora demonstrando um certo espanto.
  Pode sim, Professor. Respondeu o Senhor Davi. Sejam quais forem as sensações que começará a sentir, aos poucos elas irão aumentando, até tornarem-se insuportáveis, e então podem ocorrer uma série de outros eventos, que poderão ou não ajudar o Bereta.
  Pera ai? Como assim? Perguntou o Professor com grande espanto.

sábado, 22 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-28

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      Para onde foi aquele lazarento de uma figa? Perguntou o Professor?
      Calma Senhores. Falou o Senhor Davi: foi realizar seus desejos.
      Como assim? Perguntei bastante curioso.
      O Senhor Davi aplumou-se dentro de seu terno branco e começou a explicar: É assim que funciona, o Senhor Bereta confessou tudo ao nosso Professor demonstrando estar ciente que sem a sinceridade vinda do coração não realizaria seus desejos. Depois de quase três anos passados aqui, o que ele chamou de inferno, teve a sorte de encontrar o Senhor Sucupira e com ele poder abrir seu coração. Mostrou estar realmente arrependido de grande parte do que fez. Notem que ele foi direto, sincero e sequer procurou se defender das ofensas feitas pelo Professor, simplesmente concordou admitindo sua total culpa.
    Não teria já se arrependido ao escrever a tal carta aos filhos? Perguntei.
    Não meu Jovem, respondeu o Senhor Davi:  a carta foi mais um ato de covardia, que de arrependimento. Tanto que a carta só seria entregue aos filhos quando ele percebe-se que sua hora estaria chegando. Achou que o destino se moldaria ás suas vontades tal como fazia com as pessoas. Lêdo engano.
    E onde está a tal carta? Perguntou o Professor.
    Com um dos advogados dele. Respondeu o Senhor Davi. Ele nunca chegou a ver seu conteúdo, mas creio que a partir de agora uma grande curiosidade vai lhe assombrar a alma.
    O Senhor falou que o Bereta foi realizar seus desejos. Como isto funciona? Perguntei.
    Mais uma vez o Senhor Davi aplumou-se dentro de seu impecável terno branco e falou: Bem, se achavam que tudo já era difícil de compreenderem ou aceitarem, agora será mais ainda. Espero que abram a mente para ouvirem a verdade. Certo?
    Certo. Respondemos de imediato.
    Usarei alguns termos para que vocês possam melhor entender o que ocorrerá doravante ao Senhor Bereta e se não ficar claro, por favor, perguntem. Disse o Senhor Davi com bastante serenidade: Neste exato momento o Senhor Bereta está revivendo tudo que fez de ruim á sua esposa, filhos e os demais envolvidos nos seus crimes, todos. É como se estivesse num teatro assistindo sua  própria peça. Será extremamente doloroso, pois ele ouvirá sons que no ato dos crimes passaram desapercebidos. Verá o terror nos olhos das vítimas. Sentirá todas as dores físicas e psicológicas de cada ator. Certas cenas serão reprisadas várias vezes e cada vez mais reais e dolorosas.
   Ele merece passar por isso. Pilantra sem vergonha. Falou o Professor,, num desabafo.
   Então o Senhor Davi continuou sua explicação: Passada esta fase ele será levado ao escritório do seu advogado e viverá entre paredes.
   Como assim, entre paredes? Perguntei assustado.

PROF.SUCUPIRA MORREU - Parte-27


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   Antes de me responder o Senhor Davi falou: Creio que o Bereta têm mais a falar. Veja.
   Bereta, a Izaúra tinha razões de sobra para fugir com o Daniel. Você sabe disso. Falou o Professor.
   Sim, tinha sim, principalmente depois de descobrir que eu transava com duas menores da escola. Então ela ameaçou entregar-me a polícia por pedofilia.
   Santo Dio! Exclamou o Professor.
   O Daniel, era meu homem de confiança, então pedi a ele que desse um sumiço nela. Aquela carta que mostrei a todo mundo, inclusive aos meus filhos, fui eu que escrevi. Era tudo mentira. Depois combinei com ele, de encontrá-lo na estrada assim que ele estivesse com ela, alegando que iria convencê-la de sair da cidade mediante uma boa soma de dinheiro, o suficiente para terem uma vida tranquila em qualquer lugar. Mas antes mesmo de abrirem a boca, eu atirei nos dois. Arrastei os corpos até um matagal e deixei-os lá.
   Como você pode ser tão frio e calculista assim Bereta? Perguntou o Professor.
   Medo, Sucupira. O medo leva a gente a fazer as coisas mais hediondas possíveis. Respondeu e continuou: quando a polícia achou os corpos eu já tinha tratado tudo com o Zangão. Ele foi lá e se entregou. Estava tudo indo muito bem, como eu havia planejado, até que o promotor que o defendia desconfiou e antes que o gordo desse com a língua nos dentes, paguei uma boa soma ao promotor para que ele facilita-se a condenação do Zangão. Ele fez exatamente o que pedi, dividiu o dinheiro com todos os envolvidos no processo, do juiz aos jurados. O dinheiro compra tudo Sucupira, menos a consciência.
  Você não passa de um canalha. Falou o Professor totalmente transtornado. Não pensou nem nos seus filhos, só em você e este seu rabo nojento.
   Você têm razão Sucupira. Toda razão do mundo. Concordou o Senhor Bereta. Depois que mandei meus filhos para Inglaterra, senti-me amaldiçoado e vivi com este enorme peso na consciência e a carta seria minha resignação, porem o destino me castigou e cá estou eu preso neste inferno. Não existe perdão para tudo que fiz, estou ciente disto e só queria que meus filhos soubessem da verdade e encontrar a Izaúra para pedir-lhe perdão.
   Foi então que o Senhor Bereta desapareceu como num passe de mágica. Fiquei espantado tal como o Professor que correu em nossa direção indagando ao Senhor Davi o que havia acontecido?
 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - PARTE-26

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       Era um sujeito baixo e gordinho e pelas suas vestes parecia estar muito tempo sem um banho. Ficou nítido que era um desencarnado. O Professor disse meio a um espanto total: É o Bereta. Já se faz bem um três anos que faleceu. E se dirigiu a ele.
      Meu amigo Bereta, que surpresa. Nem sabia que estava por aqui ainda.
      Pois é meu amigo Sucupira, ainda estou aqui. Vendo meu corpo apodrecer a cada dia. O portal já se abriu para mim várias vezes mas eu sinto que não posso entrar lá ainda. Respondeu o Senhor Bereta com um ar muito tristonho.
     Que sucede meu amigo? O que o impede de sair deste sofrimento? Perguntou o Professor de uma forma bem amorosa.
    Você sabe sabe como eu era, ou melhor, como fiquei depois do que a Izaúra me fez. Abandonei tudo inclusive meus filhos. Deixei-os a Deus dará. Nunca fui um pai presente e apesar de tê-los sustentado-os financeiramente, sempre fui motivo de vergonha para eles. Falou quase chorando o gordinho.
   O Professor de imediato falou: Você sabe que todos nós fomos a favor da Izaúra. Você era um bom vivant, nunca a respeitou, só porque tinha dinheiro se achava o dono da razão e da verdade. Achava que podia comprar todo mundo e creio que sabia que suas amizades eram interesseiras  e para lhe ser mais sincero, você era intragável. Eu o respeitava porque era dono do colégio e irmão do Prefeito. Tinha que agir assim ou estaria desempregado e expulso da cidade, como vocês fizeram com o Daniel e a Izaúra, a mãe dos seus filhos.
   Neste momento o baixinho caiu em prantos e falou: Foi pior Sucupira, bem pior. Eu os matei.
   Porca miséria. Falou o Professor totalmente espantado com a confissão que acabara de ouvir.
   Menti que ela havia fugido com o Daniel, continuou o Senhor Bereta; Matei a ambos e sumi com os corpos, depois paguei o Zangão, lembra-se dele?
    Sim claro, o pedinte. Respondeu o Professor.
    Pois é, ele mesmo. Não tinha nada a perder. Cinco ou seis anos de cadeia e depois uma vida tranquila com o dinheiro que lhe ofereci. Comprei todo mundo, advogado, juiz, testemunhas e jurados. Saiu tudo como planejei, mas ficou o peso na consciência. Escrevi uma carta, onde confessava tudo, tim tim, por tim tim. E prometi a mim mesmo que antes de morrer, entregaria esta carta aos meus filhos para que eles soubessem de toda a verdade, principalmente que a mãe deles era a mulher mais correta do mundo. Porem o destino eu não pude comprar e morri sem poder entregar a carta e com este enorme peso na consciência. Tudo que eu mais quero no mundo é entregar esta carta a eles e me perdoar com a Izaúra, mas como se agora estou morto? Gritou o Senhor Bereta.
  Senhor Davi, o caso dele têm solução? Perguntei.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-25

Resultado de imagem para imagens de uma mãe prevEnindo o filho

     Vou lhe falar que este é um assunto que sempre criou uma grande curiosidade em boa parte da população, basta ver os índices de bilheterias dos cinco filmes Premonição. O fato de alguém ter a sensação antecipada de que algo vai acontecer é bastante interessante.  O que Senhor pode nos falar sobre isto?
    Bem, meu jovem. Podemos também chamar esta sensação de: preságios ou pressentimentos. Correto? Posso lhe afirmar que existem e que são bastante corriqueiros na vida humana, principalmente entre as mulheres que são muito mais intuitivas que os homens. É claro que bem diferente do que mostra os filmes por você citados, porem são reais. Respondeu o Senhor Davi.
   Como assim, corriqueiros? Perguntou o Professor.
   E porque as mulheres são mais sensíveis a isto? Ementei.
   Senhores, é da natureza humana a auto-defesa. Estar sempre atento aos perigos que os cercam é primordial para manter a vida, bem e saudável. Quantas vezes vocês bateram os olhos em uma determinada pessoa e de imediato ocorreu uma sensação pouco agradável, tipo: não, não vou fazer negócio com este cara. Tempos depois você descobre que esta pessoa deu golpe em várias pessoas. Como vocês chamariam isto? Poderia citar centenas de outros tipos de premonições que ocorrem com vocês para salvarem a própria pele. Existe um outro tipo de preságios que envolvem pessoas do nosso convívio, principalmente aquelas que ama-mos muito, e é nestes casos que a mulher mais se destaca. É muito normal ouvir uma mãe alertar o filho dizendo: Tive um sentimento ruim com esta sua viagem. Ou da esposa ao marido: Não sei porque? Mas, senti algo estranho neste seu novo emprego. Respondeu o Senhor Davi e após uma pausa, continuou: Ainda não existe uma resposta científica para isto, existem sim especulações a respeito, mas nada de concreto. Os próprios geneticistas, acham que isto é um processo evolutivo no ser humano, no sentido de preservação da vida. Como todos somos energias, eles acreditam ser um tipo de manifestação mais intensificada nos seres femininos e que podem ter relação com a maternidade. Como já falei, ainda é um mistério e talvez nunca seja revelado. Infelizmente pouco tão ouvido a isto e acabam se arrependendo depois. Está é a verdade.
   Senhor Davi, então podem existir os sonhos premonitórios. Afirmei.
   Sim, é claro que sim, principalmente quando algo nos preocupa muito e como mencionei antes, são raras as vezes que se é dada a necessária atenção a isto. Para lhe ser mais sincero, nem se trata de um sonho e sim de um flash que lhe chega ao despertar, seja de uma noite de sono ou de um simples cochilo. Sonho é outra coisa que já lhe expliquei. Recorda-se? Falou o Senhor Davi.
   É verdade, falou o Professor, se eu tivesse ouvido minha mãe quando ela me falava que deveria ser menos encrenqueiro. Teria mantido alguns dentes na boca por mais tempo.
  Todos nós rimos da forma simples como o Professor sintetizou tudo.
   Professor, alguém que lhe falar. Olhe lá. Falou o Senhor Davi, apontando em direção ao túmulo do Professor.

terça-feira, 18 de abril de 2017

PROF.SUCUPIRA MORREU - Parte-24

Resultado de imagem para imagens de cartomantes

       Sempre fui um cara ansioso e isto me levou muitas vezes ao extremo de procurar videntes, cartomantes e até ciganos para quem sabe? Saber algo a mais do meu futuro que pudesse ser revelado nas linhas das minhas mãos, borra do café ou até mesmo nas cartas de um baralho tarô.
  Notei que o Senhor Davi expressou um certo sorriso maroto quando falou:
  Pudesse o futuro ser revelado, todo projeto Gaya estaria dentro do previsto, não teria ocorrido tudo que desgraçou com a ideia inicial da proposta. O conjunto da obra foi tudo desmantelado e nem o mais sábio dos sábios, pode prever o golpe e as traições pelo qual o projeto foi, quase que mortalmente, atingido. Definitivamente, ninguém pode ver ou revelar o futuro. Tire como exemplo, você mesmo. Quantos acertos seus videntes tiveram do que foi lhe revelado?
  Alguns, acho que menos de dez porcento, mas acertaram. Respondi.
  Mas foi somente óbvio que acertaram. Tudo não passa de truques, jogo de palavras, indução, perguntas que revelam o que o consulente deseja ouvir e assim por diante. Pitonisas e oráculos nada mais são que exploradores da fraqueza humana. Respondeu o Senhor Davi, com uma firmeza impressionante.
   Então como o Senhor me explica, Nostradamus e Madame Blavatski? Perguntou o Professor cheio de razão.
  O Senhor Davi riu e falou: tanto as centúrias quanto as revelações da Madame, são interpretativas, nada certeiras. Pega-se uma de suas previsões, fazem várias analises e diversas interpretações. Depois emite-se um resposta mais aproximada do que pode ou não ocorrer. Como disse, são jogos com palavras. Se pegar uma das centúrias de Nostradamus, verificará que existem centenas de interpretações para ela. Uma chegará próxima ou será induzida a um fato que ocorreu ou está ocorrendo. 
  Podemos disser o mesmo da premunições? Mais uma vez curioso perguntei? 
  

segunda-feira, 17 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-23


Resultado de imagem para imagens de universo paralelo
   De fato, lembrei-me daqueles momentos que temos a impressão de já termos vivenciado aquele momento, já termos estado num determinado local. Então veio a resposta do Senhor Davi:
  Meu jovem, nada mais são que flashes de um mundo paralelo. Assunto muitíssimo complicado para ser colocado em pauta aqui, mas que existe, ou melhor, existem pois são vários e têm correlação com vidas passadas e futuras. E vou lhe ser mais franco, não sou a pessoa  apropriada para discutir este assunto. Cada macaco no seu galho, certo?
   Posso afirmar então, que vivemos num mesmo momento em várias dimensões? Perguntei ainda mais curioso.
   Sim pode. Existe uma tal de, teoria do holograma que explica melhor isto. Como não domino bem esta matéria, prefiro não comentá-la. A mim cabe passar orientações sobre esta dimensão. O Universo é muito complexo e nem os seres mais elevados conseguiram ainda decifrá-lo totalmente. Respondeu o Senhor Davi, com muita naturalidade.
  Isto posto. Falou o Professor Sucupira: farei uma pergunta que muito me interessa, em razão da minha atual situação de um fantasma aprendiz. Poderei eu, escolher para que dimensão partir?
  Todos nós rimos, pela forma engraçada na qual o Professor colocou sua dúvida.
  Meu caro Professor, o que posso lhe garantir é que caberá ao seu verdadeiro eu decidir e isto só será revelado, após o Senhor  passar pelo túnel e atravessar o portal. Respondeu o Senhor Davi, ainda rindo.
  O Professor demonstrou, com uma careta, não haver gostado muito da resposta que acabará de ouvir e mais uma vez fomos obrigados a rir.
  Senhor Davi, baseado no que nos falou dos Universos paralelos, é possível prever o futuro? Perguntei.

domingo, 16 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte- 22


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   Excelente observação Professor. Respondeu assim o Senhor Davi: Por um lado sim, uma vez que tirou a própria vida e isto é considerado uma falta grande para o projeto Gaya. Por outro lado, temos que considerar que este ser viveu experiências que o levaram a este trágico final e elas serão devidamente analisadas pelos geneticistas. Este ser terá uma nova oportunidade, que ficará a seu total critério, aceitá-la ou não.
  Podemos afirmar então, que a reencarnação existe. Falei.
  Sim, respondeu o Senhor Davi, porem não da forma como é colocada pelos religiosos. Ninguém retorna para pagar pelos seus erros. Como mencionei, é de livre arbítrio do ser retornar em um corpo físico melhorado, graças as experiências vividas anteriormente, e viver mais e novas experiências. E este retorno, pode ocorrer no meio social em que vivia anteriormente ou em um outro totalmente diferente.
   Calma lá. O Senhor está falando que eu posso voltar para cá? Só se eu for louco. Falou o Professor demonstrando total ironia.
  Caro Professor, o Senhor se recorda da sua última encarnação antes desta que está acabando de deixar? Pergunto o Senhor Davi, também ironizando.
  Claro que não. Se a tivesse, jamais teria retornado. Respondeu o Professor.
  É o que todos falam, Professor. Porem, lá, quando o Senhor for novamente a consciência plena, o ser voluntário, terá outra visão da vida aqui neste planeta. Vai recordar-se do seu compromisso com o projeto e só então decidirá.  Disse o Senhor Davi em meio a uma grande risada. Creio, que irei vê-lo por aqui, ainda muitas vezes, caro Professor.
  O Professor resmungou alguma coisa incompreensível, cruzou os braços e ficou olhando para o céu, como se esperasse uma resposta vida de lá.
  Senhor Davi, começo a entender o quão bom é, não nos recordar-mos da vida ou vidas passadas. E o tal Déjà vu? Têm alguma ligação com nossas vidas passadas?

sábado, 15 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-21


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   Bem, meu amigo espelho, sou obrigado a confessar que estava totalmente perplexo com tudo que tinha ouvido. A naturalidade com que o Senhor Davi falava sobre o desencarne e como tudo acontece neste momento que para nós, os vivos, é tão cheio de mistérios e medos. Realmente não tinha mais nada a perguntar e a minha pergunta havia sido muito bem explicada. Achei que não havia mais nada a se falar e já estava prestes a  despedir-me  quando passa por nós um homem, se é que posso chamá-lo assim, com a cabeça parcialmente esfacelada. Parou diante de nós por alguns instantes e se foi. Parecia estar também em busca da saída daquele local.
  Porca miséria, que coisa mais assustadora este homem. Falou o Professor.
  Um suicida, Professor. Respondeu o Senhor Davi. Atingiu o seu limite e estourou os miolos.
  E agora? O que vai acontecer com ele? Vai para o tal vale dos suicidas? Perguntei ainda horrorizado com o que havia visto.
  Calma rapaz. Uma coisa por vez. Falou o Senhor Davi, tentando nos acalmar.  Por algum tempo ficará a mercê do seu infortúnio. A maioria dos suicidas são pessoas fracas e buscam na morte as soluções dos seus problemas, e cá entre nós, não é bem assim. Ele terá um tempo aqui conosco, onde vai descobrir que seus problemas continuam, mesmo deste lado. Depois passará por momentos de muito sofrimento psicológico, onde reconhecerá o grande erro que cometeu ao tirar a própria vida e, digamos de passagem, onde estariam todas as soluções dos seus problemas. Então sua consciência se manisfestará, chamando-o para um bate-papo bem íntimo e particular e ai mais uma vez só vai depender dele.
   Então o tal vale dos suicidas é mais uma lenda? Perguntei.
   Caramba, e precisa de vale, diante deste local que estamos? Falou o Professor.
   Bem, Professor o que li sobre o vale é muito mais opressor que aqui. Respondi.
   Senhores, falou o Senhor Davi: Existe inferno maior que ter que reconhecer seus próprios erros? Sem ter a quem recorrer? Por ventura, já se imaginaram em situação de total desespero sendo condenados por vocês mesmos? Meu jovem, acho que este é o vale dos suicidas descrito pelos espiritas e o tal inferno pelos católicos.
   Então? O tal ser voluntário que habitava o corpo do suicida se ferrou, pois sua meta foi interrompida no meio do caminho. Perguntei, meio que afirmando.
   Vislumbro em você, meu jovem, grande sabedoria. Demonstra haver compreendido o sentido da vida material. Respondeu o Senhor Davi, abrindo os braços como se desejá-se abraçar-me.
   Significa que o tal ser falhou em sua missão? Perguntou o Professor.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-20


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   Aborto é sempre um assunto tratado como tabu pela sociedade, apesar de que nos dias atuais, esteja em várias pautas da política mundial. O que era, até então, somente religioso e das páginas policiais, tornou-se mais popular graças a certos movimentos feministas. Falou o Senhor Davi como se estivesse ganhado um tempo para articular uma resposta. Fez uma pausa, olhou para o céu e começou a falar: Existem dois tipos de abortos, o espontâneo e o forçado ou induzido. O espontâneo, admito que  é uma falha física do corpo humano, coisa que os geneticistas ainda buscam consertar. Isto posto, o ser gerado nesta situação é apenas matéria física, nada o habita. Fui claro? Perguntou o Senhor Davi nos olhando seriamente.
   Sim, respondi de pronto.
   O Senhor quer disser que nenhum ser voluntário está presente no feto neste processo de aborto por uma falha do corpo físico da mãe. Certo? E isto é justo para a mãe? Perguntou o Professor Sucupira.
   Como já expliquei Professor, todos estão aqui para viverem experiências, sejam elas, boas ou más. Não se trata de justiça, alias uma palavra muito mal definida pelos encarnados. É como aquele ditado: Vocês vão ver com quantos paus se faz uma canoa. Com quantos? Professor Sucupira? Respondeu o Senhor Davi.
   Sei lá. Com quantos? Senhor sabe tudo. Respondeu o Professor com outra pergunta.
   Depende, se for uma pessoa magra, talvez um ou dois, se for um obeso, serão muitos. Depende também da largura de cada pau, do seu comprimento e espessura. Portanto, existem muitas variantes para esta resposta. O mesmo ocorre com a sua pergunta, se é justo para a mãe? O que posso lhe garantir, é que tudo que acontece é para o melhor  das futuras gerações. Respondeu o Senhor Davi, com certa aspereza na voz.
   Senhores, por favor, vamos nos controlar. Falei de imediato sentido que o clima entre eles estava se acirrando. Senhor Davi, por favor, conclua sua resposta.
   Sim meu rapaz, você tem razão. Queira me perdoar Professor, pela minha indelicadeza. Falou o Senhor Davi e continuou:  No segundo caso, o aborto induzido, existem duas situações, a legal e a criminosa, ou seja, aquela que é aceita pela sociedade como uma  forma de preservar a  mãe, seja física ou psicologicamente e aquela que é vista como um crime perante as leis vigentes em cada pais. E também nestes casos o ser ali existente nada sofre, pois seu amigo imaginário ocupa o seu lugar, uma vez que está junto a ele desde a sua concepção. Cabe informar que mesmo nestes meses que o ser ficou no ventre da mãe, muitas informações foram obtidas. Elas serão estudadas e analisadas, e o que for útil introduzido no DNA da futura criança que este ser irá habitar. Acho que não restam mais duvidas quanto ao desencarne de crianças. Certo meu jovem?

quinta-feira, 13 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU. Parte-19


Resultado de imagem para imagens de crianças e seus amigos imaginários
   O Senhor Davi começou seu discurso assim: Crianças são o simbolismo de um novo limiar, uma nova esperança, a pureza, a inocência. É por meio delas que se é dada a continuidade de uma família, de um povo ou de uma nação. É com elas que se perpetuam hábitos, costumes e crenças. Enfim, sem elas não haveria história. A criança ainda no ventre materno já trabalha energeticamente filtrando as energias do ambiente que irá nascer. Acreditem ou não, mas é um trabalho árduo dependendo da situação social em que está sendo gerada. Sua função primordial ao nascer e até os sete anos de vida, captar informações para processar junto com as contidas em seu DNA e então começar sua escalada pela vida. Neste período a criança é acompanhada por um ser que a ajuda a compreender e absorver de imediato certas situações que para os adultos, muitas vezes, são impossíveis de aceitar. Um exemplo?  Guardar rancor de uma pessoa.
   Então o tal amigo imaginário que muitas crianças falam, é real? Perguntei curioso, pois lemos muito sobre isto nos livros de psicologia infantil.
  Sim meu jovem. Certas crianças conseguem enxergar estes seres que algumas religiões chamam de anjos da guarda e a ciência de, amigos imaginários. Respondeu o Senhor Davi e continuou sua explanação: Vocês podem então me perguntar?, Porque certas crianças nascem com sérios problemas físicos ou mentais? Outras com doenças graves e incuráveis? Outras nascem e ambientes de carências econômicas, amorosas ou até mesmo de abandono? E a resposta é uma só e pode até parecer cruel, mas este é o proposito dela estar aqui, encarnada. Lembrem-se do objetivo do projeto Gaya, desenvolver um  ser, uma raça quase perfeita.
   Porca miséria, que maldade. Falou o Professor bem emburrecido. E de  pronto o Senhor Davi lhe perguntou: Professor, de qual outra forma o Senhor faria? Tudo no mundo é feito encima de resultados obtidos por experiências boas e más. Não existe outra forma de aperfeiçoamento se ambas não forem colocadas em prática. E posso lhe garantir, Professor, que o papel dos amigos imaginários , como mencionei no início, é o de fazer com que a criança nestas situações, as absorvam com muita naturalidade e paz. E para finalizar, respondendo a você meu jovem, toda criança até os seus sete anos, é extraída do corpo físico muitos dias ou momentos antes do seu desencarne e, é o seu amiguinho imaginário quem assume seu lugar, um ser voluntário totalmente preparado para isto.
   Caramba Senhor Davi, Isto é realmente surreal. Isto sim ao meu ver é justiça. Acontece também nos casos de abortos? Perguntei.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU. Parte-18


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   Apesar de emocionado, tinha algo diferente no Professor. Sinceramente não pude avaliar o que, mas senti algo de leve, puro. Fiquei feliz por ele. Desculpe meu amigo espelho, mas é difícil explicar o que eu estava sentindo, só sei que era bom para o Professor e para mim.
   O Senhor Davi desapareceu por alguns momentos. Eu e o Professor ficamos em silêncio por alguns instantes, ambos admirando aquela paisagem fúnebre, que é um cemitério.
   Não sei quanto a você? Mas eu quero sair daqui. Falou o Professor num tom de preocupação. Só preciso saber como. Complementou.
   Calma Professor, sua hora está prestes a chegar. Falou o Senhor Davi que voltou, sabe-se lá de onde, a nos fazer companhia. E continuou: sem mais delongas, vamos ao que interessa e responder a indagação do nosso jovem amigo. Durante milhares de anos muitos geneticistas estiveram aqui para criarem a tão almejada raça de humanos. E para que? Os progenitores do projeto Gaya, sabiam que, teorias não eram suficientes, é necessária a prática e com esta ir aperfeiçoando-se até chegar ao ideal. Portanto era necessário estudos de comportamentos e a partir daí ir evoluindo.
   O Senhor quer disser que foram criados vários seres humanos com comportamentos diferentes e,  a partir daí estudos foram feitos encima das reações obtidas por cada um ao se confrontarem socialmente. Está correto o meu raciocínio? Falou o Professor.
   Exatamente, Professor. Respondeu o Senhor Davi e continuou: lembram-se dos tais voluntários?
   Sim, respondemos.
   Eles vieram com a seguinte tarefa, habitar os corpos criados pelos geneticistas e viverem a experiência física e depois levá-las para os estudos necessários. Os resultados obtidos eram empregados no DNA de novas criaturas mais evoluídas. Vou dar como exemplo a ex-vizinha do Professor, a Dona Leonor. Um voluntário habitou seu corpo por um determinado tempo, viveu milhares de experiências de comportamentos. Agora todo o ocorrido está sendo estudado. Com o resultado obtido, uma nova criatura será constituída,e não será a Dona Leonor, mas sim, um novo ser com o DNA aperfeiçoado. Este ser ganhará uma vida física, que será habitada pelo mesmo voluntário que estava como Dona Leonor. Fui claro? Perguntou o Senhor Davi.
  Putz, é tudo muito complicado. Para ser franco, difícil de ser digerido. Parece-me um filme de ficção cientifica. Falei um tanto constrangido, mas era o que estava sentido.
  Bem, eu avisei que não seria fácil de aceitar, mas é a verdade, a pura realidade. Respondeu o Senhor Davi.
  Tá bom, tá bom. Agora, chega de léro-léro e nos fale sobre as crianças. Falou o Professor, demonstrando uma certa inquietude.

terça-feira, 11 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-17

 
Resultado de imagem para imagens de uma pessoa sonhando
   O Professor ainda ficou um bom tempo diante do seu túmulo numa mistura de sentimentos. Parecia bastante emocionado por tudo que ouviu da sua amada e aliviado por ter sido réu confesso.
   Então os desencarnados podem nos ouvir? Perguntei ao Senhor Davi.
   Em alguns casos sim. Neste caso ocorreram dois momentos. No primeiro foi a Senhora Giovana num desabafo diante do túmulo. No segundo momento foi a conversa entre os dos dois seres. Respondeu o Senhor Davi.
   Como assim? Perguntei, ainda mais intrigado.
   O segundo momento do diálogo, só ocorrem entre seres que se amam ou se odeiam muito. É uma conexão entre estas energias que até então, uma delas está desencarnada, no caso o Professor e a outra que ainda está encarnada, a da Senhora Giovana. O amor existente entre os dois, o ato dela de vir até aqui em busca do perdão e o fato de que o Professor também tinha algo a lhe confessar, permitiu que o ser real que habita o corpo físico dela pudesse se comunicar com o ser real que é o Professor agora, desencarnado. Ela, como corpo físico, nada ouviu ou disse ao Professor, mas saiu daqui bastante aliviada, se sentindo perdoada. É complicado entender? Sim, e muito, mas é a verdade. Respondeu o Senhor Davi com uma firmeza totalmente convincente.
   O Senhor mencionou que os que se odeiam também podem se comunicarem desta forma. Pode explicar? Perguntei.
   O Senhor Davi, deu aquele sorriso de canto de boca e falou: o ódio é o outro lado da moeda e nada mais justo para aquele que desencarnou contatar o real ser do encarnado odiado e tirar satisfações ou falar algumas "verdades". São nestes momentos que muitos perdões são concedidos, muitos erros consertados, muitas diferenças acertadas e muitas verdades despertadas.
   Poxa! Pena que a gente não tenha noção destes fatos. Falei, admirado pelo que havia escutado.
   Sabe aquele dia que você acorda com a sensação de haver sonhado com alguém desencarnado? Perguntou o Senhor Davi.
   Sim, claro. Muitas vezes sonho com pessoas que passaram pela minha vida. Respondi já ciente da resposta do Senhor Davi.
   Pois é! Só que não foi um sonho e sim o contato do seu ser real com o ser real do seu conhecido, que pode ou não estar desencarnado. Por algum motivo, seja de amor ou de ódio, este veio bater um papinho com o seu ser real. Lembro que enquanto encarnado, o ser real não pode abandonar o corpo físico, mas ao dormir ele pode afastar-se por alguns momentos o que possibilita este contato. Ao despertar se tem a noção de haver sonhado e muitas vezes sonhos loucos ou muito reais. Na realidade a mente apaga tudo que aconteceu durante o contato e ocupa este espaço/tempo com falsas recordações. Respondeu o Senhor Davi, como se me fala-se: Te peguei.
  Neste momento o Professor se aproximou e ainda bastante emocionado falou: Se estivesse vivo diria que sonhei acordado. Pode uma coisa dessa?

sábado, 8 de abril de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-16



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    Havia uma Senhora ao lado do túmulo do Professor Sucupira que ao vê-la apenas balbuciou seu nome: Giovana? Seus olhos marejaram e ele olhou para nós como que incrédulo no que estava vendo e disse:
   É ela, a única mulher da minha vida. Como será que soube da minha morte?
   Desencarne Professor, desencarne. Porque não pergunta a ela? Disse o Senhor Davi.
  Nunca havia visto o Professor tão emocionado e apesar de conhece-lo há muitos anos, ele nunca havia dito nada sobre a Giovana.
  Posso? Perguntou o Professor. Não vou assustá-la?
  Não Professor fique tranquilo, apenas aproxime-se dela e estenda seu braço direito em direção a ela.  Respondeu o Senhor Davi.
  O Professor seguiu a passos lentos como que inseguro se deveria ou não fazer aquilo. Sua emoção era grande e perceptível. Parou a alguns passos dela e nos olhou como quem espera uma ordem para seguir adiante.
  Vá Professor, siga enfrente, coragem. Disse o Senhor Davi a entusiasmá-lo.
  Então o Professor deu mais alguns passos e pôs-se diante da mulher que depositava um maço de flores sobre seu túmulo. Uma lágrima rolou em seu rosto, ele ergueu seu braço em direção a ela e aconteceu o seguinte diálogo:
    Ela: Seu velho tolo e teimoso. Como pode partir sem avisar-me? Que tolice a minha, você nem sabia onde encontrar-me.
   Ele: Você continua linda, parece que os anos não passaram para você.
   Ela: São seus olhos. Você continua o mesmo galanteador de sempre.
   Ele: Não darling, você ainda está da mesma forma de quando eu a vi pela última vez.
   Ela: Darling, como era gostoso ouvir isto. Desde o nosso primeiro olhar você me chamou assim. Me fazia sentir uma atriz. Lembra-se do nosso primeiro contato?
   Ele: Claro darling, eu a tirei para dançar, me lembro até da canção:  Ruby, com Ray Charles. Naquele momento percebi o quanto lhe amava. Ao segurar sua mão, envolver sua cintura, senti seu perfume que nunca mais pude esquecer. A música toda não consegui desviar meus olhos dos seus. Aquele olhar que até hoje permanece em meus pensamentos. A música acabou e nós nem nos temos conta, continuamos a dançar, e assim seguiram-se não sei nem quantas outras músicas.
  Ela: É verdade, foi maravilhoso. Um momento mágico, inesquecível. Também me lembro do nosso primeiro beijo. Seja sincero, você estava nervoso, não estava?
  Ele: E como darling! Tomei pelo menos umas duas vodkas antes, para criar coragem e então falei comigo mesmo: é agora ou nunca. Foi o beijo roubado mais gostoso que dei em toda minha vida.
  Ela: Para lhe ser sincera, eu assustei, mas não pude resistir. Você foi muito gentil, para um ladrão. Espero que me perdoe por ter sido tão tola e...
  Ele: Não darling, não diga nada. Não era para ser. Você já estava comprometida, eu é quem errei em lhe procurar depois de tantos anos. Quando soube que estavas prestes a se casar não pude resistir. Foi uma grande tolice.
  Ela: Arrependo-me até hoje. Você foi tão sincero e eu tão estupida. Somente depois é que percebi que os melhores momentos da minha vida foram com você e que aquilo era amor, o tão sonhado amor que sempre busquei e que estava ali, diante de mim e eu deixei escapar por um capricho de adolescente. Me perdoe se o fiz sofrer. Eu sempre vou te amar.
  Então, ela vez o sinal da cruz e se afastou.

FALA AI, SENHOR DAVI

                              DEPOIMENTO DE UM DROGADO MORTO EM 2005    Esta experiência de estar aqui revelando minha passagem quando...