domingo, 4 de junho de 2017

FALA AI, SENHOR DAVI

Resultado de imagem para imagens de uma carreirinha de droga

               DEPOIMENTO DE UM DROGADO MORTO EM 2005 - III

    Ao cair na real, percebi que estava com uma arma na mão e minhas roupas totalmente ensanguentadas. Quase não lembrava de nada, minha mente era um emaranhado de cenas.
   Nadine chamou seus seguranças e ordenou que me levassem a um médico e depois ao seu pai. Ainda pude ver Carlito e os demais zumbis, colocarem o corpo de Lúcia no porta malas do carro dela e saírem em em disparada como um bando de alucinados.
  Tive o tornozelo enfaixado e fui levado até o escritório do Senhor Ramiro, pai de Nadine. O cara era grande e muito rude. Deu-me vários tapas na cara, gritando que eu tinha arrumado a maior encrenca de minha vida.
  Nadine entrou em cena dizendo que a polícia já tinha descoberto o corpo e que Carlito já havia contado tudo aos policiais que agora estavam na minha captura. A versão de Carlito é que ele havia sido golpeado na nuca e ficou desacordado e que ao acordar só conseguiu me ver atirando em Lúcia, jogar o corpo no porta malas e sair correndo.
  Nadine já havia dado ao seu pai toda minha ficha, quem eu era e filho de quem. Agora eu estava nas mãos de seu pai. Nadine antes de sair, olhou bem nos meus olhos e falou: Rapaz, você acabou com sua vida. Se acredita em Deus, peça para ele de levar o quanto antes.
  Eu era tão desligado dos negócios de papai, que nem sabia onde era fazenda dele no Uruguai. Mas o Senhor Ramiro, já sabia de tudo inclusive do advogado que cuidava da fazenda e dos negócio de papai naquele país.
  Novamente comecei a sentir vontade de me drogar. Olhava o pai de Nadine andando ao redor da cadeira que eu estava sentado. Ele parecia pensativo,como alguém que estivesse arquitetando algum plano para se livrar de mim. Tinha na mão uma navalha, que as vezes, deslizava-a no meu rosto e foi numa destas vezes que ele, num golpe rápido, decepou minha orelha direita. A dor foi terrível, gritei como um louco e fui desacordado com um ponta pé na cara.
  Não sei quanto tempo fiquei desmaiado. Ao acordar senti um gosto de sangue na boca, percebi que havia quebrado alguns dentes na boca. Ouvi então a voz do Senhor Ramiro a falar no telefone:
   O Senhor têm que entender que as autoridades daqui cobram muito caro quanto se trata de um incidente internacional. Não tenho como negociar. Ou entregam o que estou pedindo, ou terei que entregar o rapaz ás autoridades. Dou-lhes 48 horas para mandarem as documentações de vendas das fazendas. Os nomes dos pseudos compradores estão na carta que lhes enviei junto com a orelha do moleque. Se precisarem de mais provas, posso cortar uma das suas mãos e lhes enviar.
   A princípio não entendi nada, até que o Senhor Ramiro se aproximou de mim e falou:
Agora reze seu idiota, para que seu pai siga minhas orientações e assine logo os documentos de vendas das suas fazendas. Foi a única forma que encontrei junto ás autoridades para tirá-lo desta encrenca e levá-lo de volta ao seu país.
   Na verdade eu nem liguei para o que ele falou. Estava mais preocupado com as minhas dores e com  a vontade de me drogar que era a cada minuto mais forte. Cheguei até a implorar para o Ramiro, por um baseado ou qualquer outra coisa.
   Fui levado para um quarto, onde havia um sofá e uma garrafa de água com um copo. Tratei de lavar minha boca que ainda sustentava um forte gosto de sangue. Ficaram comigo dois seguranças que me olhavam e riam como se a situação lhes fosse propícia para alguma coisa. Um deles então me perguntou:
   Hei, garoto? Quer um baseado dos bons?
   Aquela pergunta foi um balsamo para meus ouvidos. Sim, quero sim.
   E o que pode nos dar em troca? Isto não vai ser de graça. Falou com um largo sorriso nos lábios um dos seguranças.
   Eu não tenho nada para dar, não percebeu que estou fodido? Respondi.
   O outro segurança se aproximou de mim e abaixando as calças, tirou seu membro para fora e falou: Têm sim, boca santa. Chupa e terá um  grande e gostoso baseado para fumar.
   O outro então se aproximou e falou:
   E se nos der esta bundinha terá uma carreirinha inteira para cheirar. É pegar ou largar.
   A droga nos leva a degradação total. Não pude resistir á oferta e com a boca toda quebrada, optei pela carreirinha.

   Continua




   










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