sexta-feira, 5 de maio de 2017

PROF.SUCUPIRA MORREU - Parte-41


Resultado de imagem para imagens de uma jovem chorosa

    Júlia afastou-se de Dona Catarina, sentou-se novamente e recomeçou a falar: Daquele dia em diante, minha vida mudou totalmente. Os pais do Gil, fizeram questão de me culparem pela sua morte. Perdi meu emprego e meus pais, ao saberem do aborto, viraram as costas para mim. As últimas palavras do Gil ficaram gravadas na minha mente. A todo momento tenho a impressão que ele está atras de mim, pronto para me levar. Tenho pesadelos constantes com ele me arrastando para o inferno. A princípio ia até a igreja e pedia para que ele me perdoa-se, cheguei até me confessar com o padre, que me penitenciou e disse que eu estava perdoada, mas seu olhar era de total reprovação.
  Porque você não procurou ajuda psicológica? Perguntou Raquel.
  Júlia deu um sorriso sarcástico e respondeu: minhas economias foram minando, não conseguia emprego, vendi meu carro e mudei para um apartamento menor e mais barato. Achei que mudando as coisas poderiam melhorar, pois só as lembranças que me traziam aquele apartamento já eram um castigo. Os pesadelos não cessaram e as coisas foram piorando cada vez mais. Comecei então a pedir que ele viesse me buscar logo e acaba-se de vez com este inferno. Certa noite, cansada de tudo, resolvi sair, queria me distrair, dançar, beber, conhecer gente nova. Entrei no primeiro barzinho que encontrei, comecei a beber e logo um carinha se aproximou, conversamos, bebemos, dançamos e fomos para cama. Na manhã seguinte quando acordei, ele já havia partido deixando um bilhete e cem reais. Ao ler o bilhete fiquei com nojo de mim mesma, ele dizia: Aqui está a grana que você cobrou, a noite foi ótima. Espero vê-la novamente.
   Você se prostituiu, Júlia? Perguntou Raquel novamente.
   Pouco me recordo daquela noite. Respondeu Júlia. Nem mesmo o nome do cara eu sei e tenho uma vaga lembrança da sua aparência, e quando achei que mais nada de ruim pudesse acontecer, descobri que estou grávida.
   O Senhor Davi nos olhou, estalou os dedos e falou: Recordei-me agora, que certa ocasião esta jovem esteve aqui. Parecia alcoolizada e gritava impropérios diante de um túmulo. Falava se agora ele estava contente, se, sentia-se vingado, que agora ele teria que levar dois para o inferno. O estardalhaço foi tanto, que os seguranças tiveram que retirá-la a força daqui.
  Novamente voltamos nossas atenções para o trio e o que a Júlia contava.
  Agora, a única coisa que desejo é que cumpra sua palavra e venha me buscar logo. E se não o fizer até a data que completa um ano da sua morte eu vou me suicidar encima do seu túmulo, e desta fez cumprirei o que estou prometendo. Não tenho mais nada a perder.
  Dona Catarina, novamente abraçou-a e disse: Minha querida, você agora têm tudo a perder se cumprir esta promessa, esta tolice. Esta não é a saída para os seus problemas. Quero que você seja bem franca, não comigo nem com a Raquel, mas para com você mesma e responda, de quem você acha  estar se vingando?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

FALA AI, SENHOR DAVI

                              DEPOIMENTO DE UM DROGADO MORTO EM 2005    Esta experiência de estar aqui revelando minha passagem quando...