Tudo aquilo que acabara de ver e ouvir me a chamou a atenção e causou-me uma certa estranheza. Não me contive e perguntei ao Senhor Davi o porque ele havia permitido que acompanhássemos todo o desenrolar de um caso que nada tinha a ver com a morte do Professor Sucupira e muito menos com o projeto Gaya. Júlia, Dona Catarina, Gil, Raquel, Tadeu, Agostinho, eram pessoas totalmente estranhas para nós assim como também foram o suicida e a famigerada cobradora de aluguel. Porem estes dois últimos tinham algo ligado ao desencarne do Professor.
Adiantando-se ao Senhor Davi o Professor falou: Olha rapaz, da minha parte, achei a história interessante e pena não poder saber o final dela.
Nisto o Senhor Davi se manifestou: Meu jovem, tudo na vida têm um sentido, um por que. Nada acontece por acaso. E alem do mais, quem sou eu para permitir ou não,que algo aconteça com você ou com o Professor?
Desculpe-me Senhor Davi, não quis ser deselegante com o Senhor, mas sinceramente não entendi o porque deste caso se desenrolar e termos acompanhado tudo e nem mesmo a lição ou a moral da história. Falei, ainda sentido-me intrigado com todo o ocorrido.
O Senhor Davi, olhou diretamente para o Professor e respondeu-me: Tudo têm um porque, certo Professor? Porque não conta a ele o que ocorreu no dia que teve o AVC.
O Professor respondeu pensativo: Caramba, não me lembro. Pode me ajudar?
Claro! Respondeu Senhor Davi. Olhe ali, naquela parede.
E como numa tela de cinema apareceu o Professor sentado em sua cadeira predileta e pensativo. Tomou um gole da sua bebida e olhando para o nada falou para si mesmo: Como estará ela? Como seria bom saber alguma coisa a seu respeito. Levantou-se de sua cadeira com o copo ainda na mão e dirigiu-se para um enorme espelho que enfeitava sua sala. Deu mais um gole e olhando-se no espelho, falou: Você foi um covarde, Sucupira, um grande covarde. E vai morrer sem nada saber dela.
Neste momento a tela desapareceu. De imediato olhei para o Professor que estava totalmente paralisado com os olhos fixos na parede. Então percebi que algumas lagrimas desciam em seu rosto e ele então perguntou:
Qual das duas é ela? Senhor Davi. Por favor, preciso saber.
Calmamente o Senhor Davi respondeu: Porque não presta atenção no que as duas estão falando? É provável que sua resposta esteja lá.
Novamente voltamos nossos olhares para as duas mulheres no exato momento em que a Raquel perguntava:
Júlia, como pode mentir sobre seus próprios pais?
Calma Raquel, eu posso explicar. Eu estava muito abalada com o acidente do Gil e com todo o ocorrido. Resolvi que deveria conversar com eles e tentar lhes explicar tudo. Na verdade eu queria um apoio, um ombro para chorar. Minha mãe estava chorosa e inconsolável com todas as besteiras que eu havia feito. Meu pai sequer olhou na minha cara. simplesmente falou olhando para o jornal que segurava nas mãos: Se você fosse sangue do meu sangue, não seria assim, mas como não é paciência. Deve ter puxado ao seu Pai, o tal Sucupira.
Como assim Raquel? Ele não era seu pai verdadeiro? Perguntou Raquel totalmente espantada.
Júlia, deu um sorriso amarelo e respondeu: Pois é, já não bastava tudo que estava acontecendo ainda me sobrou mais esta. Quase cai das pernas, olhei para minha mãe e perguntei se era verdade? Só então soube toda a verdade. Minha mãe, quando jovem, fora dançarina em uma boate, e teve um enrosco com este tal Sucupira. Segundo ela ele era Professor e assíduo frequentador da boate. Quando ela lhe falou da gravides ele sumiu. Somente quando eu já tinha nascido foi que ele deu as caras e perguntou se ela precisava de alguma ajuda. Ela disse que não e pediu-lhe para que ele nunca mais aparece-se por lá nem na sua frente.
Olhei para o Professor e vi que ele chorava num misto de emoção e vergonha. Tentei abraçá-lo, mas fui impedido pelo Senhor Davi, que de imediato dirigiu-se ao Professor e falou:
Creio que já obteve sua resposta, Professor. Deseja mais alguma coisa?
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