quarta-feira, 3 de maio de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-39

Resultado de imagem para imagem de uma velha com bengala

    As duas jovens olharam assustadas para aquela Senhora que apoiando-se em uma bengala, educadamente lhes estendeu a mão e disse:
   Não pude deixar de ouví-las, e peço que me permitam disser algumas palavras. Por favor, não achem que sou uma intrometida, longe de mim tal coisa, mas talvez eu tenha algo de útil a lhes contar.
   Raquel devolveu o cumprimento, com um forte aperto de mão, dizendo: Podemos sair daqui e continuar a conversa lá fora?
  Não, respondeu Júlia. Seja o que for que ela tenha a contar que seja aqui.
  Loga ali na frente, existe um banco, podemos nos sentar lá e conversar. O que acham? Perguntou Dona Catarina.
  Assim que se sentaram Júlia falou asperamente: Já vou lhe avisando que não tenho dinheiro e nem acredito em cartomantes ou coisa semelhante.
  Eu também não, minha querida. Respondeu Dona Catarina, com um sorriso espontâneo: Também fui jovem e, como a maioria, vivi um grande amor. Agostinho era um biólogo e acreditava que a biologia dava sentido a toda vida. Nunca, em toda sua vida, ele fez alguma promessa, pois achava que não tinha sentido se comprometer com meras palavras uma vez que a vida é pura ciência. Falava que viemos aqui com apenas três propósitos: nascer, viver e morrer e que depois da morte ninguém sabe o que viria. Quando nos casamos, ao invés de repetir as palavras do padre ele olhou para mim e falou: Querida, espero poder lhe dar tudo que uma esposa espera de um marido sem me comprometer com uma promessa que são meras palavras, mas sim com atitudes e o respeito que Você merece como minha esposa de hoje em diante.
  Que lindo, falou Raquel com os olhos marejados.
  Júlia fez menção de levantar-se dizendo: Chega, vamos embora Raquel. Não estou vendo sentido nenhum nesta conversa.
  Dona Catarina de imediato falou: Por favor querida, só mais um instante. Sente-se, seja paciente só mais alguns minutos.
  Raquel de imediato falou: Vou até lá fora buscar água para nós.
  Assim que Raquel se afastou, Dona Catarina olhou firmemente para Júlia e falou: Querida, no fundo você nunca acreditou na promessa que fez. Seja sincera e diga o que realmente a perturba.
  Não seja tola. Respondeu Júlia. Sempre acreditei no Gil e tudo que ele prometia cumpria.
  Em vida, minha garota. Falou a anciã com um olhar meigo. Agora ele já não está entre nós e, como falava o Agostinho, sabe-se lá o que ocorre depois da nossa morte.
  Júlia, baixou a cabeça e começou a chorar. Pareceu concordar com o que Dona Catarina havia dito.
  Vamos querida, abra seu coração, fale na verdade o que lhe aflige.


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