Fiquei impressionado com àquela Senhora, pela forma direta com que se dirigiu a Júlia. Parecia ela saber que a moça escondia algo e precisava desabafar.
Júlia, minha querida, todos nós somos passíveis de erros e temos a obrigação de aceitá-los e se possível corrigí-los. Falou a Dona Catarina, segurando uma das mãos da moça que chorava copiosamente. Quando se é jovem cometemos muitos deslizes, e a maturidade só vem com os erros e acertos que cometemos. Não existe outra forma de se amadurecer na vida que não seja pelas experiências passadas no dia a dia.Devemos então, encarar os erros e procurar deles tirar proveitos e lições. Os erros, mais do que os acertos é nos trazem lições reais de vida e o amadurecimento necessário para darmos os próximos passos. Seguir enfrente com a vida e aprender com os erros é principalmente não carregá-los como um fardo e sim, como mais uma experiência, que uma vez aceita, procuraremos não mais cometê-las.
Dona Catarina, a Senhora aceita uma água. Perguntou Raquel, que acabava de retornar. Que aconteceu Júlia? Porque está chorando?
Júlia se levantou e olhando firmemente para Raquel falou: Porque sou uma mentirosa, uma covarde que foge da verdade.
Lá vem bomba. Disse o Professor de sobressalto.
Júlia, depois de tomar um pouco de água, virou-se para Dona Catarina e falou: Naquela noite que eu disse ter sido embriagada pelo Gil e acabei fazendo a tal promessa é mentirosa. Na realidade, descobri que estava grávida e só aceitei jantar com ele para lhe contar. Tinha medo da reação dele, sabia que adorava crianças e um dos seus grandes desejos era ser pai. Quando lhe contei, ele explodiu de alegria e disse que tínhamos que comemorar num lugar mais intimo. Precisei beber e beber bastante para lhe dar uma outra notícia e foi durante a relação que eu lhe olhei nos olhos e falei: não quero esta criança, vou abortar. O Gil se transtornou, falou os diabos. Eu retruquei alegando que tinha uma vida pela frente e que minha carreira profissional era promissora e que engravidar naquele momento era tudo que não desejava. Mesmo assim o Gil me fez prometer que não faria o aborto. Ele me beijava, me acariciava, agradecia, chorava. Eu prometi e não cumpri.
Como pode fazer isso Júlia? Falou sua amiga totalmente inconformada.
Júlia, não deu ouvidos e continuou sua narrativa: No dia seguinte procurei uma clínica e fiz o aborto. Passei muito mal, estava topada de dor, achei que ia morrer, então mandei que chamassem o Gil. Ele estava a caminho quando sofreu o acidente. Três dias depois eu estava no hospital já ciente que ele não tinha mais esperanças de viver. Seu coma era induzido e foi então que ele abriu os olhos e falou: Júllia, eu virei buscá-la e levá-la para o inferno que é o seu lugar.
Dona Catarina, levantou-se e amorosamente abraçou Júlia e disse: Calma querida. Isto é passado. Tome um gole de água e acalme-se.
Porca miséria, falou o Professor. Quem diria heim? Parece-me que a jovem carrega duas mortes nas costas.
É verdade Professor. Falou o Senhor Davi. Mas acho que tem mais, Ouça.
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