sábado, 6 de maio de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-42


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     É difícil saber o que se passou na cabeça de Júlia naquele momento, mas ela teve uma explosão descontrolada chegando a empurrar Dona Catarina e gritou: Eu não quero vingança eu quero é morrer.
    Dona Catarina desequilibrada pelo empurrão, foi apoiada pela Raquel e falou asperamente: Você quer se vingar de si mesma. Não vê a oportunidade que lhe está sendo dada para reparar os erros que já cometeu. Ninguém lhe virou as costas, a não ser você mesma. Analise-se e pergunte, porque mesmo você perdeu seu emprego? Seja sincera e responda, porque mesmo você resolveu abortar? Uma vez que o Gil ficou feliz ao saber da notícia. Você forjou toda uma história e viveu dela até o momento que ela não funcionou mais. Viveu dentro de uma mentira que tantas vezes foi contada que se tornou realidade e a única saída que você vê agora é a morte. É a forma pela qual você acredita que estará se vingando de todos inclusive de si mesma.
   Oh São Pedro, eu estou errado, ou esta velha sabe das coisas? Perguntou o Professor com um olhar malicioso.
  Creio que ela sabe de muita coisa que a Júlia escondeu até agora. Respondeu o Senhor Davi.
  Um momento. Falou a Raquel, olhando severamente para Dona Catarina: Da forma que está falando, é como se estivesse acusando a Júlia. Quem é a Senhora para falar estas coisas?
  Dona Catarina, refeita do destempero, sentou-se e olhando tristemente para as moças falou: Eu sou a mãe do Tadeu, o verdadeiro pai da criança que a Júlia abortou.
  Neste momento Júlia quase desmaiou e foi amparada pela Raquel que perguntou: Como assim? Quem é o Tadeu, Júlia?
   Dona Catarina se antecipou a Júlia e respondeu: Tadeu era o dono da empresa que a Júlia trabalhava. Meu filho é casado e têm dois filhos. Durante um bom tempo eles tiveram um caso, pois a Júlia sabia que minha nora fora acometida de uma grave doença que a deixou aniquilada fisicamente e concordava em se relacionar com meu filho em troca de um generoso salário. Quando soube que ela estava gravida dele, quis assumir a criança, mas como ela estava noiva do Gil resolveu abortar. Por várias vezes Júlia ameaçou Tadeu e a cada ameaça era mais dinheiro que pedia. Foi então que meu filho tomou a decisão de fechar a empresa e mudar-se do Brasil. Já não conseguia mais viver daquela forma. Revelou tudo a nós e á sua esposa e foram embora do país. Todo meio empresarial ficou sabendo da história e quem era a Júlia, por isso todas as portas se fecharam para ela.
  Porca miséria. Que rapariga, heim? Falou o Professor.
  Raquel estava boquiaberta com tudo que acabará de ouvir e perguntou rudemente a Júlia se tudo aquilo era verdade? Júlia simplesmente balançou a cabeça afirmativamente.
   Dona Catarina continuou a falar: Eu quase morri com a partida do meu filho e meus netos. Minha nora veio a falecer quatro meses depois e seu último desejo foi o de saber se o Tadeu sentia alguma coisa pela Júlia. Tadeu respondeu que sim, que tinha se apaixonado por ela. Minha nora então pediu para que ele a procura-se e fossem felizes.
  Ambas as moças se espantaram e para ser sincero nós três também.
  Desde então, a pedido do meu filho eu a tenho esperado. Sabia que um dia ela apareceria aqui e era aqui que eu desejava encontrá-la. Prometi a meu filho  que diria a ela que ele a está esperando, mas que seria do meu jeito. Aqui dentro próximo ao túmulo do Gil onde eu sabia que um dia ela viria para se desculpar e quem sabe recomeçar uma nova vida. Mas quis o destino que ela engravida-se novamente e o desespero tomou conta da sua vida. O Tadeu já sabe que está gravida, fiquei sabendo pela sua mãe, que ao contrário do que você falou, nunca lhe deu as costas. Foi você que por vergonha, se afastou. Minha promessa está cumprida. Cabe a você agora decidir. Aqui está meu endereço assim que tomar sua decisão me procure.
  Dona Catarina, levantou-se, sorriu para as duas e foi saindo lentamente, como alguém que estava aliviada por ter cumprindo sua promessa. O que se passava no seu interior ninguém jamais saberá.
 

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