Meu amigo espelho, fiquei pasmo com a proposta do Sr. Davi. A cara do Professor então? Foi algo inesquecível. Era como se ele aprova-se a proposta e disse-se: Vai lá garoto, mostre do que é capaz.
Lhe dou uma hora para convencê-la a reconhecer a realidade. Disse o Senhor Davi.
Você não conhece a lábia deste garoto, Sr. Davi, dá nó até em pingo d'água.
E quais as consequências se eu aceitar?
Estará ajudando e nada mais.
E não só a ela, a mim também. Vai ser ótimo ficar livre desta vizinha.
Ok! Vamos lá, não deve ser tão difícil assim.
Desejo-lhe sorte rapaz. Dentro de uma hora estaremos de volta. Professor, por favor, queira me acompanhar.
Dona Leonor. Tudo bem? Podemos conversar um pouco?
Claro! Você precisa alugar uma casa? Tenho uma em que o atual inquilino está de saída. Vamos saindo daqui que eu quero lhe mostrar a casa. Tem, dois quartos, sala, cozinha, um banheiro, uma área de serviço e um pequeno quintal.
Não, não Dona Leonor. Quero lhe falar de outra coisa.
Ah! Já sei. Você é de alguma imobiliária e quer administrar minhas propriedades. Obrigada, eu mesma cuido dos meus bens. Já basta meu enteado com quem tenho que dividir os lucros. Não vou dividir com mais ninguém. Alias, por que aquele desgraçado não vem me buscar? Vamos, vamos, me leve até a saída que lá pego um táxi.
Dona Leonor a Senhora está sem bolsa. Sabe onde ela está? Como poderá pegar um táxi?
Claro que sei. Deve estar ali encima daquele túmulo.
A Senhora sabe de quem é aquele túmulo?
Sim é onde está meu finado marido. Meu enteado me deixou aqui e até agora não voltou para me pegar. Será que ele levou minha bolsa?
Dona Leonor, a Senhora consegue ler o que está escrito nesta placa colada no túmulo?
Não fico perdendo tempo lendo placas de túmulos. Preciso é sair daqui. Vai me levar ou não?
Dona Leonor, é o seu nome que está naquela placa.
Tolice, deve ter sido algum erro. Se estivesse morta, não estaria perdendo meu tempo com Você. Com certeza estaria ao lado do meu finado, meus pais, da tia Miguela. E no paraíso, pois ajudo a igreja toda semana e sou uma boa pessoa. E Você, quem é? Algum tipo de demônio que veio para me testar? Sei que o Gaspar, o inquilino da casa dois do cortiço, é macumbeiro e ele me deve dois meses de aluguel, com certeza enviou você aqui para me atormentar. Não vai conseguir, não vai conseguir. Vou chamar a polícia se não for embora já!
Calma Dona Leonor. Ninguém vai escutá-la, acredite em mim, só quero ajudá-la. A Senhora notou como anda se sentindo ultimamente? Verificou como suas roupas estão? Veja seus sapatos, parecem estar impregnados de dejetos.
Vá para o inferno, devo ter pisado na bosta de algum cachorro.
Então Dona Leonor, tente me bater. Vamos, dê-me um tapa bem forte no rosto. Estravasse toda sua raiva.
E ela não pestanejou. Tentou acertar-me várias vezes. Então pareceu cansar-se e parou. Olhou profundamente em meus olhos, com ar de espanto e descrédulo do que estava acontecendo. Senti vontade de abracá-la, mas sabia que isto era impossível, apenas falei.
Sente-se melhor agora, Dona Leonor?
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