terça-feira, 28 de março de 2017

PROF. SUCUPIRA MORREU - Parte-06

 
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   Pois é meu amigo espelho, depois de passados dois dias do falecimento do Professor não aguentei e resolvi ir até o cemitério. Algo estava me incomodando, não sabia o que era até chegar lá e ver o Professor ao lado do seu túmulo, olhando fixamente aquelas poucas coroas de flores. Ao seu lado estava velhinha, aquela quase cega, que pediu minha ajuda para sair de lá.
   Ainda estão bonitas, Professor.
  Sim, tiveram bom gosto na escolha. É bom saber que realmente sentiu saudades e não foram meras palavras escritas numa cora de flores.
  Procurei mudar de assunto e falei: não vai me apresentar á sua amiga?
  Claro, claro. Desculpe a minha falha. Esta é a Dona Leonor, a teimosa. Acha que está aqui por engano e quer sair de qualquer jeito. Perceba, neste momento ela nem notou a sua presença, mas é só começar a escurecer que ela sai correndo atras dos vivos  buscando ajuda para sair. É lógico que eles nem percebem a sua presença, salvo iluminados como Você.
 Que loucura Professor.
 Loucura é ela ser minha vizinha de túmulo. Quer coisa pior?  E ainda falam que aqui é o local do descanso eterno. Só fala de suas casas alugadas e de seus inquilinos. Para ela todos são uma praga, mas vive do que eles lhe pagam. Cada parente é um sangue suga que só querem seus bens.
   Mas Professor, aqui diz que ela faleceu em 1995, são 22 anos e ela ainda não caiu na real?
  Não. Diz  não saber como chegou aqui. Já contou várias versões e culpou muita gente. Fala que precisa ir receber os aluguéis, cobrar os atrasados, despejar, fulano, ciclano. É um inferno, não fala uma coisa boa, só bosta. E tem mais um detalhe que chamou muito a minha atenção, ela não percebe o tempo passar. Escureceu, amanheceu e para ela é o mesmo dia, 21 de janeiro de 1995.
   Mas Professor, 22 anos é tempo suficiente para a decomposição do corpo e segundo o Senhor Davi é o tempo máximo que o desencarnado fica aqui, junto ao corpo.
   Nem me fale estas coisas. Ocorre, que pessoas que tomam determinados tipos de remédios, acabam atrasando a decomposição, parece-me que o mesmo ocorre com os bebuns. Até os vermes se negam a digerir estes tipos de carnes. (rimos). Já li casos de corpos que foram exumados com mais de quatro décadas e estavam quase que intactos.
   Deve existir uma forma de despertá-la para realidade. O Senhor nem sequer tentou ajudá-la?
   Olha rapaz, eu sou  fantasma de um Professor e não um anjo da guarda e para lhe ser mais sincero, acho que é um caso perdido.
   Nisto seu amigo tem razão, meu jovem. Não que ela seja um caso perdido, mas esta não é  função dele aqui. Quem sabe um dia? Mas agora ele tem mais coisas para se ocupar, se quiser sair daqui. Certo Professor?
 Certo Senhor São Pedro, quer disser, Senhor Davi.
 Desculpe-me Senhor Davi, é que conhecendo o Professor como o conheço, sei que ele  nunca se negou a ajudar, fosse qual fosse o problema.
  Quando desencarnamos, alguns conceitos são quebrados e isto é um bom sinal para quem deseja sair daqui. Para que Você não ache que estamos sendo cruéis ou injustos com a Dona Leonor, vou lhe dar uma oportunidade de tentar convencê-la do seu desencarne. Aceitas?
 
 

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